Este blog nasceu com a ideia de divulgar textos em psicologia, propiciar discussões, fornecer meios para consulta e favorecer um espaço para escrever e me mostrar como amante da Psicologia e Psicanálise. Bem-vindos ao Acena!
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segunda-feira, 26 de março de 2018
A Psicologia no contexto hospitalar
Com a ascensão da Psicologia nos últimos tempos e com a inclusão dos psicólogos nos mais variados ambientes, muitos hospitais do Brasil agregaram esses profissionais em sua equipe multidisciplinar. O psicólogo deixou de ser caracterizado como aquele que atende apenas em consultório particular e passou a contribuir com seus saberes na área da saúde, até então liderada por médicos e enfermeiros.
Segundo a OMS (1948) saúde não é somente a ausência de doença, mas sim um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Nesse sentido, compreende-se que o ser humano é muito mais que um corpo físico (PESSÔA et al., 2004:2). Ele passa a ser um sujeito integrado com seus aspectos psicológicos, sociais e biológicos.
No final da década de 50 e durante toda a década de 60 a Psicologia foi adentrando no âmbito hospitalar em sinal às novas tendências que apontavam para o ser humano como um sujeito biopsicossocial na compreensão da doença, antes limitada na concepção clássica do modelo biomédico (SPERONI, 2006:90). Certamente, essa inserção foi lenta e repleta de preconceitos sobre a atuação de um profissional da saúde mental no cenário onde a prevalência era de dooenças físicas. Esse preconceito não advinha apenas de leigos, mas também de médicos (PORTAL EDUCAÇÃO, 2012:11).
Em falta de um paradigma claro da nova especialidade na época, muitos psicólogos tentaram transpor para o hospital o modelo clínico habitual, sem levar em consideração e sem conhecer as limitações institucionais. Assim, muitos atendimentos foram malsucedidos no primeiro momento. Por esses motivos, a Psicologia Hospitalar foi conceituada no Brasil somente na década de 60, já que as referências técnicas e teóricas eram escassas (SPERONI, 2006:91). A trajetória dessa disciplina se deu no sentido inverso, isto é, da prática para a teoria.
A Psicologia foi crescendo e tomando seu espaço à medida que se enfatizou o caráter preventivo e o entendimento do ser humano em sua globalidade, considerando não só os aspectos físicos, mas emocionais da doença. Ao tratar desses aspectos, fica clara a abertura da Psicologia para as novas demandas que surgiam. A tentativa de mudar o foco da atenção à saúde contribuiu para que a inclusão do psicólogo e de outros profissionais fosse feita e que uma equipe multiprofissional fosse formada (PORTAL EDUCAÇÃO, 2012:12). Foi então, somente no final da década de 80, que um movimento de profissionais para demarcar a Psicologia Hospitalar como especialidade começou. Esse fato se concretizou formalmente quando o Conselho Federal de Psicologia promulgou a resolução de nº 014 regularizando a concessão do titulo de especialista para a Psicologia Hospitalar e outras áreas (TONETTO; GOMES, 2005:283). Vale ressaltar que a Psicologia Hospitalar é o nome dado ao profissional que atua exclusivamente dentro do ambiente hospitalar.
De acordo com Simonetti:
Psicologia Hospitalar é o campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento. O adoecimento se dá quando o sujeito humano, carregado de subjetividade, esbarra em um “real”, de natureza patológica, denominado “doença”, presente em seu próprio corpo, produzindo uma infinidade de aspectos psicológicos que podem se evidenciar no paciente, na família, ou na equipe de profissionais. (2013:15)
Ainda para esse autor (2013:15) o profissional nesse contexto voltará o seu olhar para os aspectos psicológicos envolvidos na doença, visto que toda doença vem carregada de subjetividade. Desse modo, o paciente se beneficiará do trabalho do psicólogo hospitalar. Ele complementa dizendo que:
A psicologia hospitalar enfatiza a parte psíquica, mas não diz que a outra parte não é importante, pelo contrário, perguntará sempre qual a reação psíquica diante dessa realidade orgânica, qual a posição do sujeito diante desse “real” da doença, e disso fará seu material de trabalho (SIMONETTI, 2013:16).
Para corroborar com essa ideia, Cantarelli (2009:140) expressa que não é a doença em si que interessa à psicologia hospitalar, mas sim a relação que o doente tem com seu sintoma e o significado que lhe é conferido, e a isso só conseguimos obter através da palavra.
Também é papel do psicólogo minimizar o sofrimento advindo da hospitalização, assim como melhorar a qualidade de vida do paciente e proporcioná-lo condições favoráveis para lidar com as situações da enfermidade (ANGERAMI-CAMON, 2003:23). Em síntese, o psicólogo vai dar assistência ao paciente, lidar com suas angústias e a dos seus familiares, diminuir o sofrimento provocado pelo processo de hospitalização e trabalhar os aspectos emocionais envolvidos na doença.
Ainda discorrendo sobre a função do psicólogo no hospital, Cantarelli menciona que:
No hospital, o psicólogo tem uma função ativa e real, que não puramente interpretativa. Sua atuação se dá ao nível de comunicação, reforçando o trabalho estrutural e de adaptação do paciente e familiar ao enfrentamento da intensa crise. Nesta medida, a atuação deve se direcionar em nível de apoio, atenção, compreensão, suporte ao tratamento, clarificação dos sentimentos, esclarecimentos sobre a doença e fortalecimento dos vínculos familiares. Portanto, a atuação do psicólogo é permeada por uma multiplicidade de solicitações como: preparação do paciente para procedimentos cirúrgicos (pré e pós-operatório), exames, auxílio ao enfrentamento da doença e seu tratamento, atenção aos transtornos mentais associados à patologia, tornando o paciente ativo no seu processo de adoecimento e hospitalização (2009:139).
Embora o psicólogo hospitalar venha agregar à equipe e buscar a humanização do paciente internado, ele se depara com algumas dificuldades na sua atuação. Primeiramente, não é o sujeito quem o procura, mas sim o profissional que vai até o leito e convida o sujeito a falar sobre sua doença. Nesse caso, vale lembrar que ele pode rejeitar o atendimento. Em segundo, o hospital não fornece o “setting ideal” como no consultório particular, isto é, muitas vezes o paciente está acamado, com outros internos por perto e rodeado de equipamentos. Além disso, o atendimento pode ser interrompido por outros profissionais para ministrar dose de remédios, dar o banho ou aferir a pressão, por exemplo. (ANGERAMI-CAMON, 2003:19). O psicólogo deve aprender a lidar com isso e realizar o seu trabalho dentro do possível, fazendo o seu melhor.
Em sua atuação o psicólogo ajudará o enfermo a resgatar sua identidade através da expressão dos seus sentimentos, podendo, desse modo, contribuir no seu fortalecimento e na crença de sua recuperação. Ao mesmo tempo, é fundamental que o profissional proporcione condições para que a comunicação entre paciente-família e paciente-equipe seja a mais clara possível (PORTAL EDUCAÇÃO, 2012:33).
segunda-feira, 21 de março de 2016
quarta-feira, 13 de maio de 2015
Por que a redução da maioridade penal não vai resolver o problema?
Muito tem se falado e abordado sobre o tema da redução da
maioridade penal nas mídias. Com a nova lei prestes a ser aprovada no
Congresso, várias instituições e grupos de especialistas que trabalham ou têm
experiência com adolescentes tentam esclarecer sobre alguns mitos e verdades a
respeito do que tem sido apontado por aí. A verdade é que diversos conselhos,
grupos de profissionais e educadores, que têm experiência com jovens, são
contra a redução da maioridade penal. E o Conselho Federal de Psicologia e a
maioria dos psicólogos, assim como eu, também.
As
mídias exercem forte poder sobre as pessoas tratando os adolescentes como
criminosos e com capacidade de exercer perigo. Alguns realmente são, no
entanto, os argumentos utilizados são exagerados, sem conhecimento e apoiados
no senso comum, o que não esclarece nada, ao contrário, estigmatiza ainda mais
os jovens. Nesse sentido, ela é tendenciosa.
Adolescentes são jovens entre 12 e 18 anos que estão em peculiar estados de
desenvolvimento. Há pessoas que dizem que os adolescentes não são responsáveis
pelos seus atos, e por isso devem ser presos por cometerem crimes, mas a
própria Psicologia age como ele sendo autor de suas escolhas. Nós os
responsabilizamos pelos seus atos. Argumentam que são incontroláveis e fazem o
que querem. Isso é outro mito, pois as medidas socioeducativas prezam a
responsabilidade gradativa, ou seja, aos poucos vão conhecendo seus limites,
direitos e deveres.
O
Estado tem o dever de proteger os jovens e não criminalizá-los e culpá-los.
Sendo assim, a cada discussão favorável a redução da maioridade penal
sobrecarrega esses jovens colocando-o pagador de uma conta que não é dele. Eles
tornam-se vítimas. Além disso, os adolescentes morrem mais nesse mundo violento
do qual vivemos do que cometem crimes. Muitas vezes são chantageados e coagidos
e um crime cometido por um jovem de 12 anos, por exemplo, torna-se
contingencial. Os acessos ao mundo do crime são passados pela cultura em que
vivem e se não há outros valores e sentidos a serem transmitidos é perigoso que
eles percebam essa forma como a mais sedutora e fácil. Mais uma vez é preciso
protegê-los. Os crimes cometidos por adolescentes têm uma pena maior do que se
fosse um adulto. E a minoria desses crimes (7%, 8%) é causado por eles e não a
maioria, como dizem por aí.
Outro mito e talvez o mais grave seja iludir-se com a ideia de que a
redução da maioridade vai diminuir a violência e a criminalidade. A punição não
vai diminuir a criminalidade. O problema não será resolvido, aliás, vai se
agravar ainda mais os problemas carcerários e os mandatos não serão cumpridos.
Então, o Estado vai se tornar um irresponsável, pois não poderá arcar com o
cumprimento da pena e esses jovens terão que ser soltos. Após a vivência em um
cárcere no Brasil sabemos bem que a mente de uma pessoa muda e a revolta dos
jovens aumentará. Ele sairá pior e deseducado. O Estado terá sido irresponsável
com esse jovem. Os adolescentes devem receber medidas socioeducativas para
reinventarem um novo sentido para suas vidas e não ser encarcerado. No entanto,
é mais cômodo encarcerar que reeducar, ressocializar, reconstruir e instruir.
Para adotar essas medidas são necessárias políticas públicas e investimento do
Estado.
Em nenhum país foi presenciado a diminuição da criminalidade com a
redução da maioridade penal. Em alguns estados dos Estados Unidos, por exemplo,
ela até aumentou. A redução não resolve o problema e muito menos sua causa.
A criminalização de tudo imprime uma responsabilidade ao Estado para que
ele investigue, averigue, fiscalize e pontue ativamente. Se isso não ocorre, há
desmoralização do Estado e ele perde suas forças. É preciso conseguir fazer
àquilo que se propõe. E o Estado está preparado para isso?
Tem-se a fantasia de que o controle não vai evitar as tentativas, mas
sim o fim, o ato em si. Então, as pessoas vão se sentir mais tranquilas e o
controle sobre as ações vão aumentar ainda mais. Instala-se aí o totalitarismo,
ou seja, o controle de tudo. Ao mesmo tempo, a perda total de controle, pois
quanto mais se tenta barrar um ato, mais alternativas vão sendo criados para
burlar o controle.
Enfim, o controle, a redução da maioridade penal, a culpabilização, o
encarceramento e as medidas que se pretendem adotar não vão resolver a questão
da criminalidade e da violência. As medidas socioeducativas, os investimentos
na educação e nas políticas públicas continuam sendo o melhor caminho. Os
adolescentes não merecem pagar uma conta por erro do Estado. Eles devem ser protegidos
e resguardados por ele; essa é sua obrigação e direito dos jovens.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
HIV e aspectos psicológicos: o que há de comum?
Em lembrança ao dia 1º de dezembro, Dia Internacional da Luta
contra a AIDS, recordei de um artigo muito interessante que li na época da
faculdade. O guardei para posteriores consultas e quero trazer a ideia central
para conhecimento de todos. O artigo cujo nome é: Psiconeuroimunologia e infecção por
HIV: Realidade ou ficção? de
Sara Ulla e Eduardo Augusto Remor, foi publicado em 2002.
O texto procura estabelecer as relações
entre a Psiconeuroimunologia (PNI) e os portadores do vírus HIV. A PNI é um
campo interdisciplinar que tenta criar laços entre as neurociências e a
imunologia. Em outras palavras, o comportamento, as emoções e outros aspectos
psicológicos em relação ao sistema nervoso, imunitário e endócrino. Segundo as
pesquisas feitas os fatores psicossociais, como controle do estresse,
estratégias de enfrentamento, apoio social, hábitos e estilos de vida podem
estar associados com a evolução da carga viral.
Pode-se dizer que um pior estado de ânimo,
maior nível de estresse ou estratégias de enfrentamento mal direcionadas para a
solução dos problemas podem fazer com que o vírus progrida mais velozmente
contribuindo para um prognóstico negativo.
Em relação ao estresse, um dos fatores
psicológicos estudados, seu alto nível pode levar ao desequilíbrio de vários
sistemas ou órgãos porque obriga o organismo a manter uma ativação de suas
possibilidades e dá lugar a um desgaste excessivo com possíveis alterações ou
deterioração no funcionamento dos órgãos ou sistemas alvo. No caso do sistema
imunológico, concluiu-se que o alto nível de estresse pode derivar em menor
competência imunitária ou diminuir a quantia de diferentes subtipos celulares.
Também, verificou-se a relação entre elevado nível de estresse e rápida
evolução do HIV.
Sabe-se também que o estresse pode
influenciar na produção de citocinas (grande grupo de moléculas que intervêm
nos sinais produzidos entre as células durante a resposta imunológica e
garantem o bom funcionamento do sistema), afetar processos inflamatórios,
reativar vírus latentes, interferir na imunidade local da pele e propiciar
infecções cutâneas. Em suma, esses dados indicam que o alto nível de estresse
pode acelerar a produção viral e desenvolver a sintomatologia da AIDS.
Sobre as estratégias de enfrentamento, averiguou-se
que mudanças ajustadas e adaptativas ao estilo cognitivo podem alterar
positivamente na resposta de anticorpos. Um enfrentamento ativo e uma
confrontação adequada das próprias emoções estariam relacionadas com um melhor
nível da função imunológica. Portanto, as estratégias de enfrentamento
adaptativas funcionariam como protetoras da aceleração viral.
O apoio social, outro fator psicológico
analisado, atuaria sobre o nível de estresse e à modulação do indivíduo ao
caráter ameaçador e ao controle da situação de risco. Em uma pesquisa feita em
macacos Rhesus, encontrou-se uma diminuição da progressão do vírus HIV nos
animais que mostraram um nível de interação e sociabilidade maiores. Estudos
realizados em humanos também se verificaram a importância dos fatores sociais
sobre a influência dos parâmetros imunológicos. Para os autores, o apoio social
estaria atuando como modulador da resposta de estresse diante de eventos
ameaçadores para a pessoa. Assim, comportamentos de afiliação e fortes laços
sociais favoreceriam a competência imunitária e o adequado estado de
saúde.
Os hábitos e estilos de vida também são
relevantes para a qualidade do sistema imunológico e, consequentemente, para a
regressão da carga viral. A prática de exercícios aeróbicos e o sono são
fatores que acarretam efeitos positivos para o sistema imunológico. Entre um
grupo que praticava atividade física, ocorreu alívio do mal-estar afetivo, em
comparação ao grupo que não praticou atividade alguma.
Enfim, através das pesquisas feitas e dos
estudos realizados, Ulla (2002) e Remor (2002) compreenderam que o alto nível
de estresse, as estratégias de enfrentamento mal direcionadas às soluções dos
problemas, estilos de vida inapropriados e frágeis laços sociais podem
contribuir para a proliferação da carga do vírus HIV. Nesse sentido, as
intervenções psicológicas direcionadas ao ajustamento do indivíduo e ao
adequado controle do estresse estariam colaborando para a manutenção dos níveis
imunológicos adequados, assim como a retenção da progressão da doença.
quinta-feira, 10 de julho de 2014
Os testes psicológicos como recurso da Psicologia
Atualmente, trabalho na área de Avaliação Psicológica, da qual gosto muito, e por isso resolvi falar sobre esse tema e sobre os testes psicológicos validados pelo Conselho Federal de Psicologia.
Os testes psicológicos são recursos aproveitados por muitos profissionais do âmbito da Psicologia e apenas eles podem usá-los. Podem ser incluídos como métodos tanto na avaliação psicológica para processos seletivos, como para a área clínica, escolar, jurídica e da saúde.
É importante dizer que Avaliação Psicológica não é sinônimo de teste psicológico, é muito mais que isso. Os testes são apenas um dos recursos utilizados no processo de avaliação de uma pessoa. Deve-se usar também uma entrevista psicológica (para investigar o motivo que leva o sujeito à avaliação e seu histórico), uma prova situacional ou dinâmica de grupo (em caso de seleção de pessoal é comum), além da bateria de testes escolhidos com cuidado. Ao final de tudo isso, é realizado um laudo psicológico com todos os pareceres e resultados do que foi averiguado pelo psicólogo. A avaliação psicológica deve ser dinâmica e levar em conta as ações do sujeito, o que ele diz e o que não diz, mas infere.
Há uma parte de profissionais que não se utiliza dos testes psicológicos porque julgam desnecessários e porque consideram que eles podem ser muito limitadores e enquadrar uma pessoa, sem considerar todo o ambiente cultural, familiar e social do qual ela vive. No entanto, quem se utiliza dessa ferramenta também deve se atentar para a pluralidade dos indivíduos e flexibilizar os resultados dos testes. Não devemos rotular os avaliandos e apenas pontuar as tendências e inclinações. Na realidade, os testes vão apontar e ajudar a esclarecer a resposta para a pergunta que foi feita antes do processo. Por exemplo, se um candidato é apto para a vaga. Nesse sentido, devem ser usados com cautela e como uma das ferramentas que ajudará o psicólogo na investigação da queixa. Eles não devem ser empregados para responder perguntas que os psicólogos não conseguem ou não sabem fazer e nem para confirmar opiniões dos profissionais. Seu uso deve ser profissionalmente eficaz. Além disso, a ética é indispensável na nossa profissão e na avaliação psicológica ou na escritura de um laudo, pois são resultados que dizem respeito à individualidade do ser humano e que podem ser vistos ou lidos como verdades por algumas pessoas. Então, devemos responsabilizar com o que está sendo falado respaldando em técnicas e métodos validados e eficazes.
Os testes podem ser de personalidade, inteligência, atenção concentrada, atenção difusa, habilidades sociais, saúde, convivência conjugal, para verificar o nível de estresse, etc. Existem testes infantis, para adultos e os que podem ser aplicados em ambos. Temos os projetivos, isto é, em que o sujeito deposita elementos internos e inconscientes no teste de desenho, de uma história contada; os testes psicométricos em que o resultado está medido em um valor matemático e os inventários, que são perguntas prontas que o avaliando responde conforme mais lhe parecer familiar e parecido com a forma dele pensar. É necessário que o teste meça àquilo a que ele se propõe e, geralmente, consegue.
Uma aplicação bem feita, um teste bem corrigido e analisado pode contribuir bastante com o profissional que opta por esse recurso, pois ele trará elementos importantes e significativos que ajudarão o psicólogo a tomar uma diretriz para o bem estar do sujeito ou para a condução de uma terapia. Aí sim, ele será bem aproveitado.
segunda-feira, 19 de maio de 2014
Impressões do Filme "Hoje eu quero voltar sozinho"
Assisti há um mês ao filme brasileiro Hoje eu quero voltar sozinho, baseado
no curta-metragem com o mesmo nome. Sem dúvida, um dos filmes mais lindos que
vi nos últimos tempos.
Trata da vida de um adolescente cego que é superprotegido pela mãe e que se descobre apaixonado pelo amigo da escola. Um roteiro que envolve o despertar da homossexualidade, as dificuldades do personagem em lidar com sua deficiência e a abertura dele para a liberdade, estimulada pelo amigo do qual ele se envolve.
Um filme lindo, sensível, com uma condução extremamente delicada, sem estereótipos.
O longa mostra o amor que ultrapassa o preconceito e os limites do próprio corpo. O personagem que também se vê apaixonado pelo menino cego conduz a trama com leveza, e, aos poucos, vai percebendo sua admiração e interesse pelo colega. A história começa com uma amizade aparentemente ingênua e sincera que vai ganhando força e cativando ambos para uma paixão. Eles se declaram e assumem um relacionamento diante da escola. O personagem mostra ao deficiente as delícias e os prazeres de viver e realizar as coisas, independente do seu problema de visão. Dessa maneira, ele insere o garoto em um mundo de desafios, liberdade e maturidade.
Um filme que é mais que indicado para se emocionar e sair do cinema ou da sala com o coração afetado.
Além disso, os personagens são jovens e ótimos atores. Vale a pena conferir!
Trata da vida de um adolescente cego que é superprotegido pela mãe e que se descobre apaixonado pelo amigo da escola. Um roteiro que envolve o despertar da homossexualidade, as dificuldades do personagem em lidar com sua deficiência e a abertura dele para a liberdade, estimulada pelo amigo do qual ele se envolve.
Um filme lindo, sensível, com uma condução extremamente delicada, sem estereótipos.
O longa mostra o amor que ultrapassa o preconceito e os limites do próprio corpo. O personagem que também se vê apaixonado pelo menino cego conduz a trama com leveza, e, aos poucos, vai percebendo sua admiração e interesse pelo colega. A história começa com uma amizade aparentemente ingênua e sincera que vai ganhando força e cativando ambos para uma paixão. Eles se declaram e assumem um relacionamento diante da escola. O personagem mostra ao deficiente as delícias e os prazeres de viver e realizar as coisas, independente do seu problema de visão. Dessa maneira, ele insere o garoto em um mundo de desafios, liberdade e maturidade.
Um filme que é mais que indicado para se emocionar e sair do cinema ou da sala com o coração afetado.
Além disso, os personagens são jovens e ótimos atores. Vale a pena conferir!
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Mãe (Desnecessária)
Achei esse texto muito interessante e plausível.
Escrito por Marcia Neder
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar vôos-solo....
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Escrito por Marcia Neder
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar vôos-solo....
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
quarta-feira, 7 de maio de 2014
Ocupação
A C&C
é uma empresa da área de Psicologia, que presta serviços de Avaliação
Psicológica para processos seletivos, concursos públicos, Organizações e clínica.
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direcionamentos aos clientes e sugestões nos relatórios psicológicos, com
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trabalho é realizado com responsabilidade, eficiência, compromisso e ética.
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Trabalhamos em todo o Estado da Bahia e Sergipe.
Psicóloga responsável: Cibelle Carvalho Pereira – CRP 03/8130
A perda do outro: uma relação de amor e dor
Recentemente, li o excelente livro do Psicanalista e Psiquiatra argentino J. D. Nasio, assim conhecido, intitulado A dor de Amar. Trarei de forma sintética o que considero mais belo na relação do amor e da perda desse amor. Certamente, o livro traz muitos elementos que não entrarão aqui para que a postagem não se estenda.
Para iniciar este texto, vou elucidar o que ele formula sobre a dor de amar: é uma ruptura no laço íntimo com o ser amado. Àquele que foi escolhido para viver junto se afasta e o afeto empregado é desfeito.
Antes disso, instala-se o amor que é, na realidade, a representação feita do ser amado, ou seja, é a fantasia do outro no próprio inconsciente. Podemos pensar que amar, para Nasio e para a psicanálise, é também idealizar o escolhido. Amamos a nós mesmos que está representado no outro, em outras palavras, nos colocamos no ser amado. Freud diz que o escolhido por nós é um personagem psíquico, virtual, diferente da pessoa viva, pois nele está uma parte inconsciente de nós mesmos. O sujeito amado é uma parte real e outra parte de mim que está impressa nele. Contudo, o amor não vem acompanhado apenas de bons aspectos, cobrimos no ser amado muitas representações de amor, ódio ou angústia engendradas no nosso inconsciente. Por isso, amamos um ser híbrido que é um indivíduo real e atuante, mas também sua presença fantasiada e inconsciente de nós. E a fantasia de cada um será um laço tanto mais apertado quanto mais eu for para o outro aquilo que ele é para mim: o eleito fantasiado, segundo Nasio.
Por outro lado, o corpo do amado é preciso estar vivo, em carne e osso, para servir de base à nossa fantasia. Sem essa base real a fantasia desabaria e o inconsciente perderia seu centro de gravidade. Além disso, é esse corpo vivo que excita e estimula o desejo do outro, e suas manifestações, ações e jeito singular também são projetados no psiquismo de quem ama. A presença imaginária do eleito no nosso inconsciente reflete e envia nossas próprias imagens, conforme assinala Nasio.
No livro, o autor diz que esse amor, como sendo uma representação inconsciente de nós mesmos, é alimentado pelo desejo. A incompletude do amor do outro permite que o desejo de quem ama permaneça ativo, uma vez que o outro não deverá ser total para que se possa continuar desejando-o. Nosso parceiro (a) nos insatisfaz porque não pode e não quer nos satisfazer plenamente. Então, ao mesmo tempo em que me incita a amá-lo, me proporciona um gozo parcial. Desse modo, garante a insatisfação necessária para o jogo do desejo.
Perder esse amor que é tão importante como um braço ou uma perna é se ver no vazio e no real. O desejo que estava sustentado, a fantasia que estava presente e a relação que se dava de forma dinâmica é rompida, dilacerando o sujeito que ama. O que dói é a certeza do irreparável da perda do amado. Quanto mais se ama, mais se sofre porque o laço é perdido de forma abrupta e o desejo já não está mais presente. Instala-se o sofrimento e a dor da perda do objeto a. Não haverá mais investimento libidinal e o sujeito se sente despedaçado, lesionado, como arremata Nasio. Ele diz: o que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo sabendo-o irremediavelmente perdido.
A perda do amado é uma dor dentro de nós porque desencadeia o desmoronamento da fantasia. O sujeito se sente, portanto, abandonado, perdido e sem saber o que fazer com o desejo errante. O desejo passa a ser nu e sem objeto. A dor provém da perda do amado, do abalo da fantasia que nos liga a ele e, também, da fratura da imagem do outro. Em suma, a dor de amar é exprimida pelo encontro agressivo e imediato entre o sujeito e o próprio desejo enlouquecido e desestruturado, segundo o autor.
Por fim, o amado que foi eleito por nós através de inúmeras representações psíquicas e que, por isso mesmo, é encontrada uma parte de mim nele se desfaz, é amputada e rompida seja pela morte, pelo abandono ou pela humilhação. Neste momento, instala-se a dor de amar e a dor psíquica porque o laço e a união foram cortados e o indivíduo foi perdido para sempre. A fantasia feita por cada um de nós com a imagem e o corpo do outro desaba e o desejo fica sem objeto, ou seja, fica manco, instável e morto. Diante da desordem pulsional, o sujeito que perde o ser amado sofre e deverá viver o luto para que, algum tempo depois, se veja curado e com sua dor cicatrizada. Após a elaboração da perda e sua simbolização, o indivíduo será capaz de eleger outro terráqueo, único e indispensável. Sim, neste momento poderá amar de novo.
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Abandono: uma ferida na alma
Já faz alguns meses que tenho me deparado com estórias de abandono de pessoas. Ouço dizer entre os conhecidos, assisto na televisão e vejo reportagens nos noticiários sobre essa ação. São sempre relatos tristes e carregados de mágoa por quem sofreu o abandono.
O canal GNT está com um programa lindo sobre esse assunto, chama-se "Em busca do pai". Ele foi inaugurado próximo ao Dia dos Pais, o que me parece uma demonstração de como eles fazem falta. Para àqueles que não podem comemorar essa data junto com seu pai porque nunca os conheceram ou porque foram abandonados por ele, o sofrimento é muito maior.
Mas não quero me referir aqui apenas ao abandono do pai em relação ao seu filho, mas também da mãe e, sobretudo, pessoas que mesmo sendo criadas pelos seus pais sofreram a rejeição na infância.
Abandono quer dizer desamparo, desprezo, renúncia. E é exatamente assim que uma pessoa se sente ao saber ou sentir que foi abandonada. O abandono sugere falta de amor, desimportância, descompromisso, falta de zelo. Mas nem sempre. Seria desumano pensar isso de uma mãe que deixa seu filho recém-nascido, uma vez que ela também sofre com essa decisão. O que acarreta essa opção de largá-lo, muitas vezes, está relacionada com a pobreza e falta de condição para o sustento de uma criança. Porém, nosso foco aqui será dado na pessoa que foi desamparada.
Entitulei esse texto como o abandono sendo uma ferida na alma. Isso porque ele fere, maltrata, humilha e nos reduz ao nada. É natural que o indivíduo pense que não é amado, pois quem deixaria um filho se o amasse? Para ele não importa muito as razões que levaram ao fato, mas sim o fato. O porque do rompimento afetivo é levado às mais profundas conjecturas.
Todo ser humano que nasce necessita que alguém cuide dele, lhe dê carinho e amor para ser inserido no mundo. Irão mostrar-lhe o mundo e ensiná-lo a viver. Essas atitudes favorecem que o sujeito creça saudável, confiante, seguro e amado.
O abandono traz dificuldades na socialização, conflitos emocionais, insegurança, baixa auto-estima e baixa auto-confiança porque não ocorreu os primeiros cuidados providos de amor e carinho. A sensação de ter valor e de ser amado é importantíssimo para a saúde mental da pessoa. Adultos que foram acometidos com esse peso da rejeição sofrem na vida adulta evitando qualquer possibilidade de outra perda. Temem ser deixados pela segunda vez. E a vida parece falha, manca, incompleta, um retrato em branco.
Falamos até agora do abandono real. Mas, e o abandono subjetivo? Ou seja, aquele que é feito na relação entre pais e filhos? Uma criança que não é vista, admirada, amada, notada pelo pai ou pela mãe? Essa também carregará uma ferida na alma. A sensação de rejeição será a mesma, até pior, pois mesmo com a presença a ausência afetiva é notória. Quase não há laço que una, que mostre para a criança que ela é querida e importante na vida dos pais. O "olhar" dos pais, isto é, o ser visto e amparado por eles, é que nos faz sentir que somos capazes. Se não há esse "olhar", como sentiremos que somos capazes? Se o núcleo familiar não reforça o laço afetivo, a criança vai se tornar um adulto inseguro, sentindo-se pouco amado e, portanto, com pouco valor.
Ainda, uma criança que é abandonada não aprende a cuidar de si. Tende também a se abandonar quando adulto. Em outras palavras, o cuidado que tiveram conosco nos ensina a cuidar de nós mesmos.
As pessoas que foram abandonadas, muitas vezes, querem conhecer seus verdadeiros pais. Talvez seja um "acerto de contas" afetivo; ou uma marco para sua identidade (meu pai/mãe é baixo, negro, alto, forte, rico, inteligente, nervoso, etc) e a partir desses dados a pessoa se conhece mais ou lapida sua própria identidade; ou o contrário, demarca as diferenças que existem entre ela e o seu genitor.
Por fim, posso afirmar que o nosso desejo é de ser amado, cuidado e querido pelos nossos pais. Ninguém quer ser abandonado e preterido. Para crescer forte e saudável precisamos do "olhar" que nos diga que somos capazes e que temos valor. Essa certeza é solidificada e precisa ser obtida na infância. A Psicologia contribui em cicatrizar essa ferida no sentido de criar um lar, que muitas vezes o indivíduo nem teve; um laço que foi desfeito e ajudá-lo a tornar um sujeito mais seguro e feliz, sem se abandonar. Essa construção é possível!
O canal GNT está com um programa lindo sobre esse assunto, chama-se "Em busca do pai". Ele foi inaugurado próximo ao Dia dos Pais, o que me parece uma demonstração de como eles fazem falta. Para àqueles que não podem comemorar essa data junto com seu pai porque nunca os conheceram ou porque foram abandonados por ele, o sofrimento é muito maior.
Mas não quero me referir aqui apenas ao abandono do pai em relação ao seu filho, mas também da mãe e, sobretudo, pessoas que mesmo sendo criadas pelos seus pais sofreram a rejeição na infância.
Abandono quer dizer desamparo, desprezo, renúncia. E é exatamente assim que uma pessoa se sente ao saber ou sentir que foi abandonada. O abandono sugere falta de amor, desimportância, descompromisso, falta de zelo. Mas nem sempre. Seria desumano pensar isso de uma mãe que deixa seu filho recém-nascido, uma vez que ela também sofre com essa decisão. O que acarreta essa opção de largá-lo, muitas vezes, está relacionada com a pobreza e falta de condição para o sustento de uma criança. Porém, nosso foco aqui será dado na pessoa que foi desamparada.
Entitulei esse texto como o abandono sendo uma ferida na alma. Isso porque ele fere, maltrata, humilha e nos reduz ao nada. É natural que o indivíduo pense que não é amado, pois quem deixaria um filho se o amasse? Para ele não importa muito as razões que levaram ao fato, mas sim o fato. O porque do rompimento afetivo é levado às mais profundas conjecturas.
Todo ser humano que nasce necessita que alguém cuide dele, lhe dê carinho e amor para ser inserido no mundo. Irão mostrar-lhe o mundo e ensiná-lo a viver. Essas atitudes favorecem que o sujeito creça saudável, confiante, seguro e amado.
O abandono traz dificuldades na socialização, conflitos emocionais, insegurança, baixa auto-estima e baixa auto-confiança porque não ocorreu os primeiros cuidados providos de amor e carinho. A sensação de ter valor e de ser amado é importantíssimo para a saúde mental da pessoa. Adultos que foram acometidos com esse peso da rejeição sofrem na vida adulta evitando qualquer possibilidade de outra perda. Temem ser deixados pela segunda vez. E a vida parece falha, manca, incompleta, um retrato em branco.
Falamos até agora do abandono real. Mas, e o abandono subjetivo? Ou seja, aquele que é feito na relação entre pais e filhos? Uma criança que não é vista, admirada, amada, notada pelo pai ou pela mãe? Essa também carregará uma ferida na alma. A sensação de rejeição será a mesma, até pior, pois mesmo com a presença a ausência afetiva é notória. Quase não há laço que una, que mostre para a criança que ela é querida e importante na vida dos pais. O "olhar" dos pais, isto é, o ser visto e amparado por eles, é que nos faz sentir que somos capazes. Se não há esse "olhar", como sentiremos que somos capazes? Se o núcleo familiar não reforça o laço afetivo, a criança vai se tornar um adulto inseguro, sentindo-se pouco amado e, portanto, com pouco valor.
Ainda, uma criança que é abandonada não aprende a cuidar de si. Tende também a se abandonar quando adulto. Em outras palavras, o cuidado que tiveram conosco nos ensina a cuidar de nós mesmos.
As pessoas que foram abandonadas, muitas vezes, querem conhecer seus verdadeiros pais. Talvez seja um "acerto de contas" afetivo; ou uma marco para sua identidade (meu pai/mãe é baixo, negro, alto, forte, rico, inteligente, nervoso, etc) e a partir desses dados a pessoa se conhece mais ou lapida sua própria identidade; ou o contrário, demarca as diferenças que existem entre ela e o seu genitor.
Por fim, posso afirmar que o nosso desejo é de ser amado, cuidado e querido pelos nossos pais. Ninguém quer ser abandonado e preterido. Para crescer forte e saudável precisamos do "olhar" que nos diga que somos capazes e que temos valor. Essa certeza é solidificada e precisa ser obtida na infância. A Psicologia contribui em cicatrizar essa ferida no sentido de criar um lar, que muitas vezes o indivíduo nem teve; um laço que foi desfeito e ajudá-lo a tornar um sujeito mais seguro e feliz, sem se abandonar. Essa construção é possível!
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
O recolhimento compulsório dos dependentes químicos e suas nuances
Já alguns meses, vem se discutindo muito sobre o "Recolhimento compulsório" de crianças e adolescentes nas ruas dependentes de drogas. Há controvérsias, discussões contra e a favor. É um tema polêmico que vamos fazer algumas reflexões agora.
"Recolhimento compulsório" é a retirada obrigatória de dependentes químicos das ruas. Em outras palavras, eles não têm escolha de decidir sobre essa conduta, já que a decisão vem das autoridades. É uma ação conjunta com a polícia militar para resguardar a segurança dos demais que circulam pelos locais. Geralmente, também há resistência desses usuários de drogas em serem levados à força, já que estão totalmente dependentes da droga. No momento da ação, é observado violência por parte dos recolhidos (pontapés, tentativas de fuga, xingamentos) em resultado da abstinência da droga. Ainda assim, eles são levados.
A palavra 'recolhimento' nos remete à retirada, limpeza, organizar o desorganizado. Não há dúvidas que a atitude do Governo tenta ser a melhor possível. Resgatar a vida, a dignidade, o contato com a família, etc. Mas será que essa é a melhor maneira?
Ainda que pensemos nesses transeuntes viciados como vítimas da droga e aparentemente incapazes de decidir e escolher sobre sua própria recuperação, precisamos acreditar que em algum momento haverá uma luz que acenda sobre esse dependente. É preciso haver acolhimento, não recolhimento. Tratamento é encontrar uma porta aberta, mas para entrar tem que ser uma escolha livre. É do ser humano querer se salvar, se recuperar, retomar a vida plena; o que as autoridades precisam fazer é providenciar lugares e profissionais que estejam de plantão para acolher a chegada dos dependentes.
Há em Belo Horizonte, psicólogos e assistentes sociais que trabalham nas ruas e na cracolândia a fim de abrirem um espaço para que esses usuários possam falar e receber apoio. Na realidade eles vão se quiser e quando quiser. Mas o importante é que esses profissionais estarão pelos locais, ou seja, disponíveis. Isso nos remete a idéia de que há solução, no entanto a vinda ou escolha tem que partir do próprio viciado. Caso contrário, o resultado não será satisfatório.
Outro ponto bastante discutido nos debates e com as autoridades se trata dos locais onde esses recuperados irão após o tratamento feito. Será que haverá o apoio da família? Será que voltarão para as ruas? O trabalho deve ser feito amplamente: junto com os familiares (é necessário encontrá-los para apoiar o sujeito), com psicólogos, médicos, nutricionistas, etc.
Finalmente, é preciso acreditar no sujeito, bem como na sua capacidade de recuperação. Pois, possibilidade há, profissionais acessíveis também, mas o passo inicial deve ser do viciado e não recolhidos obrigatoriamente. Acredito que dessa maneira o resultado terá mais chances de dar certo. Que assim seja!
"Recolhimento compulsório" é a retirada obrigatória de dependentes químicos das ruas. Em outras palavras, eles não têm escolha de decidir sobre essa conduta, já que a decisão vem das autoridades. É uma ação conjunta com a polícia militar para resguardar a segurança dos demais que circulam pelos locais. Geralmente, também há resistência desses usuários de drogas em serem levados à força, já que estão totalmente dependentes da droga. No momento da ação, é observado violência por parte dos recolhidos (pontapés, tentativas de fuga, xingamentos) em resultado da abstinência da droga. Ainda assim, eles são levados.
A palavra 'recolhimento' nos remete à retirada, limpeza, organizar o desorganizado. Não há dúvidas que a atitude do Governo tenta ser a melhor possível. Resgatar a vida, a dignidade, o contato com a família, etc. Mas será que essa é a melhor maneira?
Ainda que pensemos nesses transeuntes viciados como vítimas da droga e aparentemente incapazes de decidir e escolher sobre sua própria recuperação, precisamos acreditar que em algum momento haverá uma luz que acenda sobre esse dependente. É preciso haver acolhimento, não recolhimento. Tratamento é encontrar uma porta aberta, mas para entrar tem que ser uma escolha livre. É do ser humano querer se salvar, se recuperar, retomar a vida plena; o que as autoridades precisam fazer é providenciar lugares e profissionais que estejam de plantão para acolher a chegada dos dependentes.
Há em Belo Horizonte, psicólogos e assistentes sociais que trabalham nas ruas e na cracolândia a fim de abrirem um espaço para que esses usuários possam falar e receber apoio. Na realidade eles vão se quiser e quando quiser. Mas o importante é que esses profissionais estarão pelos locais, ou seja, disponíveis. Isso nos remete a idéia de que há solução, no entanto a vinda ou escolha tem que partir do próprio viciado. Caso contrário, o resultado não será satisfatório.
Outro ponto bastante discutido nos debates e com as autoridades se trata dos locais onde esses recuperados irão após o tratamento feito. Será que haverá o apoio da família? Será que voltarão para as ruas? O trabalho deve ser feito amplamente: junto com os familiares (é necessário encontrá-los para apoiar o sujeito), com psicólogos, médicos, nutricionistas, etc.
Finalmente, é preciso acreditar no sujeito, bem como na sua capacidade de recuperação. Pois, possibilidade há, profissionais acessíveis também, mas o passo inicial deve ser do viciado e não recolhidos obrigatoriamente. Acredito que dessa maneira o resultado terá mais chances de dar certo. Que assim seja!
terça-feira, 8 de novembro de 2011
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
O delírio na psicose
O texto a seguir propõe discutir sobre a função do delírio para o sujeito psicótico. Porém, antes disso, abordaremos aqui o que é a psicose e como ela pode ser desencadeada nos indivíduos que apresentam tal estrutura psíquica.
Como citei agora a pouco, a psicose trata-se de uma estrutura psíquica e como tal dispensa, para a psicanálise, vê-la como doença mental. Ainda é difícil para a sociedade aceitar o "louco" ou aquele que delira, exatamente porque ele diverge, destoa, desvia do que comumente chamamos de "normal". Não será absurdamente desconfortável vermos no louco àquilo de semelhante em nós mesmos? Fica aí uma pergunta.
Freud, em seu texto “Neurose e Psicose”, de 1923, formula a psicose como um distúrbio nas relações entre o ego e o mundo externo. Ele explica que, normalmente, o mundo externo governa o ego de duas maneiras: primeiramente, através de percepções desse mundo externo, que sempre está presente e se renova; e, em segundo lugar, por meio do armazenamento dessas percepções de acordo com o nosso mundo interno, que também é constituinte do ego.
Na ausência disso, a aceitação de novas percepções é recusada, e a visão do mundo externo pelo interno perde sua significação. O ego, então, cria um novo mundo externo e interno e esse novo mundo é construído de acordo com os impulsos desejosos do Id (instância psíquica que quer sempre ser realizada). Assim, o ego não reprime o impulso instintual a serviço da realidade. Ao contrário, a psicose se depara com a tarefa de conseguir outras percepções que correspondam à nova realidade. Isso geralmente se efetua por meio da alucinação. Freud (1923) completa que a psicose ocorre por alguma frustração muito séria de um desejo, uma frustração quase intolerável.
A psicose, de acordo com Quinet (2003), tem seu divisor de águas no Complexo de Édipo, na medida em que ele é a armadura significante mínima que condiciona o sujeito a entrar no mundo simbólico. Sem a castração, não há entrada no mundo simbólico; assim, como nos diz Lacan (2002), nada se ligará a nada, pois o sujeito jamais entrou no sistema de simbolização. Dito de outra forma, não haverá duplo sentido ou ambiguidade, mas sim literalidade. O simbólico será Real.
O Complexo de Édipo, segundo Quinet (2003), tem seu primeiro momento quando a criança é identificada pela mãe como o objeto de seu desejo. O bebê se torna o falo materno. O autor (2003), relendo Freud, vai se utilizar da equivalência bebê = falo. A mãe, nesse primeiro momento, é onipotente, pois só ela pode ou não satisfazer às necessidades do bebê, colocando a criança assujeitada a ela. Ela será, então, esse Outro absoluto, sem lei.
O segundo momento do Édipo, diz Quinet (2003), corresponde a uma entrada na simbolização. Isto é, a mãe, como ser falante e submetida à Lei simbólica, passa de um estatuto de objeto primordial ao de signo. A relação entre mãe e criança não será mais imediata, pois haverá uma mediação simbólica pela linguagem.
Nesse processo de simbolização da mãe, que ela não faz sozinha, será necessária a entrada de um terceiro que introduza a lei da interdição, da proibição, um “não” à integração dela com o bebê, um “não” à objetalização da criança pela mãe. Assim, surge a instância paterna como a metáfora do Pai - em outras palavras, o que no discurso da mãe representa o pai: o Nome-do-Pai. Isso será evocado no discurso da mãe e significará, para a criança, que o desejo dela se encontra em outro lugar, num terceiro lugar, pois ela também está submetida a uma lei (Quinet, 2003). “O Nome-do-Pai é o pai enquanto função simbólica que vem metaforizar o lugar de ausência da mãe; é o significante que faz a mãe ser simbolizada” (QUINET, 2003, p.11-12).
Essa função significante do Pai inscreve-se no Outro; esse Outro que antes era ocupado totalmente pela mãe. Enquanto que no primeiro momento do Édipo esse Outro é a mãe, com a entrada do Nome-do-Pai, esse Outro onipotente e absoluto será barrado, inaugurando-se, assim, o princípio da criança na ordem simbólica (Quinet, 2003).
Esse processo do Édipo ocorre quando a criança entra na ordem simbólica por um interceptor do desejo ilimitado da mãe: o significante Nome-do-Pai. No entanto, quando isso não ocorre, o sujeito é inscrito no campo comprometido da psicose. Quinet (2003), citando Lacan, denomina essa falha da lei paterna de foraclusão do Nome-do-Pai. Essa será a condição elementar da psicose, isto é, “a foraclusão do Nome-do-Pai no lugar do Outro e o fracasso da metáfora paterna” (QUINET, 2003, p.15). Foraclusão será entendido como o que está fora da ordem simbólica, em que o significante da Lei (Nome-do-Pai) está fora do circuito. Contudo, esse significante não deixa de existir, pois o que foi foracluído do simbólico retorna no real (Quinet, 2003).
Essa foraclusão da Lei paterna impede o sujeito de entrar na ordem simbólica, e o que não pôde ser simbolizado, colocado na cadeia do discurso, em palavras, retorna no real, isto é, nos delírios e alucinações. Reforça Oliveira (2006):
A ausência de um significante primordial (O Nome-do-Pai) provoca um grande furo na realidade do sujeito psicótico, de modo que ele cria o mundo das fantasias para preenchê-la. Emergem, então, os fenômenos alucinatórios: “o fenômeno alucinatório se dá pelo reaparecimento, no real, daquilo que não pôde ser simbolizado, ou então recusado pelo sujeito” (HERRAMANN apud OLIVEIRA, 2006. p.3).
Quinet (2003), abordando Freud, argumenta que, para o psicótico, o que foi abolido dentro, isto é, a castração, a inclusão do significante Nome-do-Pai e, portanto, sua entrada na cadeia significante é retornada do lado de fora. Dito de outra forma, ainda de acordo com o autor, o que é foracluído no simbólico retorna no real. “... na psicose um fragmento da realidade rejeitada retorna sem parar, para forçar a abertura na vida psíquica” (QUINET, 2003, p. 6).
Lacan (2002) diz que o psicótico é vigiado, espiado, observado, falam dele, olham-no, dão-lhe uma piscadela de olho, julgam-no, e tudo isso o invade. O sentido que o psicótico tem sobre as coisas não é natural, pois o simbólico é real.
Esse Outro terrível e gozador da psicose não está barrado, mas sim consistente; por carecer do significante da lei, da castração, é um Outro absoluto ao qual o psicótico está submetido (Quinet, 2003).
Diante de todas as atormentações que pode sofrer um psicótico, como então poderá viver sem ser acometido por tamanha desestruturação? Que saída ele encontra para atenuar sua desordem psíquica? Quinet (2003) diz que o que dá possibilidade ao sujeito de se organizar na realidade humana é poder significar o seu mundo. Isso ocorre por intermédio do mundo simbólico, do qual o psicótico está foracluído. Então, ele terá que se apropriar de “bengalas” imaginárias, por lhe faltar um quarto pé que lhe daria estabilidade. Essas “bengalas” imaginárias podem sustentar o sujeito até que ele não precise se deparar com o simbólico, já que lhe falta a metáfora paterna.
A sustentação do sujeito psicótico se mantém até o momento em que ele se depara com o Nome-do-Pai ou ocorre um encontro com Um - pai. Como aquele foi foracluído, o sujeito terá que encontrar outra maneira de se manter na realidade. É aí que os delírios têm uma função, pois,
[...] com a metáfora delirante, o sujeito busca reconstruir o sentido que se perdeu quando da dissolução imaginária do mundo. A busca por esse sentido e pela compreensão do mundo é o único meio pelo qual o sujeito pode reencontrar o sentido da vida, tendo acesso a uma significação (não fálica). Essa metáfora viria no lugar do fracasso da metáfora paterna, suprindo a carência do Nome-do-Pai de modo que as coisas readquirissem certa consistência, amenizando ou barrando o gozo do Outro” (QUINET apud OLIVEIRA, 2006, p.3).
Para complementar, Freud (1923) explica que o delírio funciona como um remendo no lugar de uma fenda que apareceu na relação do ego com o mundo externo; esse conflito com o mundo externo se manifesta, portanto, por delírios, como uma tentativa de cura ou de reconstrução.
Em algum momento na vida, todos nós nos deparamos com uma pergunta existencial do tipo: "Quem sou eu?", "De onde eu vim?", "O que quero da minha vida?", etc. E para responder a essas perguntas os neuróticos se apoiam em referências simbólicas, pólos organizadores que sustentam a vida psíquica. Já o psicótico, por não ter essa referência simbólica, essa significação, vê-se na iminência de desencadear uma crise. Ou seja, um momento aguda de tormento e grande angústia. É muito comum que a primeira crise psicótica se dê na adolescência, pois é lá que as primeiras perguntas são feitas e os caminhos começam a ser trilhados. Ou então quando o adulto descobre que terá um filho ou quando sua carreira profissional começa ascender. Enfim, é comum que uma crise psicótica apareça em um momento crucial, marcante ou significativo na vida do sujeito.
A lei simbólica que organiza, que orienta e que serve de baliza para os neuróticos e que falta nos psicóticos, auxilia os sujeitos a responderem às perguntas difíceis que causam angústia ou então às situações que os obrigam a assumir um lugar na vida.
Apoiando-se do texto "A escuta do delírio na clínica da Psicose" de Rosane Ramalho (2003) ela diz que após um desencadeamento de um surto psicótico e após a alucinação, é comum que o sujeito comece a delirar. Isso porque ele tenta desesperadamente achar uma resposta, um significado para as questões; já que o seu mundo psíquico encontra-se tão desorganizado e fragmentado.
O delírio é a possibilidade do psicótico sair de sua crise. É onde ele pode obter uma significação subjetiva para si. "O delírio é a construção de uma narrativa, de um texto para si, homólogo ao romance que cada um constrói para si ou o seu mito individual." (Ramalho, 2003)
Poder escutar o louco no que ele trás no seu delírio é deixar que ele monte uma narrativa viável ou o chamado delírio de qualidade. Deixá-lo jogado dentro dos muros do manicômio é calar o delírio do louco que pode tirá-lo de sua crise e do seu sofrimento.
Deixar que o psicótico fale em seu delírio e escutar sua narrativa é não temer em escutarmos a nós mesmos. É poder se deparar com o que aparece de estranho no outro e que pode ser para nós tão ameaçador e semelhante.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
quinta-feira, 23 de junho de 2011
terça-feira, 21 de junho de 2011
terça-feira, 7 de junho de 2011
A relação mãe-bebê
Existem teorias psicológicas que atribuem a função materna um papel importante na constituição do sujeito. São teorias de Winnicott, Melanie Klein, Spitz, etc. que reforçam a ideia que é preciso desempenhar bem essa função. Quando digo 'função materna' não é necessariamente a mãe biológica, mas alguém que assuma a relação de afeto, o olhar e os cuidados com o bebê.
Podemos citar desde os cuidados básicos com o lactante como alimentar, aquecer no frio, banhar, limpar, mas não apenas isso. É necessário que se passe ao bebê a sensação de aconchego, conforto, afeto, carinho e amor. O toque ou contato (que é também com tato) é mais que pegar; é, sobretudo, delimitar um corpo e erogeinizá-lo. Tocar o neném em seu braço, rosto, cabelo é, acima de tudo, mostrar-lhe sua existência no mundo como um ser que possui um corpo.
O 'olhar' para o bebê é o que demarca sua importância para a família e o lugar que ele ocupa nela. Refiro-me ao olhar que trasborda o amor, a estima, a alegria do descobrimento do mundo pela criança; é o que transmite segurança e auto-confiança para ela. É um olhar que mostra a dedicação, o apoio e o valor dessa criança para seus responsáveis, por fim.
Há estudos feitos em hospitais com bebês pré-maturos, internados em UTI, que comprovam que eles se recuperam mais rápido cuja presença da mãe é regular, provida com toque, carinho e conversas com seu filho. Existem, inclusive, psicólogos que trabalham em UTI neonatal que incentivam e reforçam a importância dessa relação mãe-bebê nesse período difícil para ambos.
O que pode parecer inútil e descabido como conversar com um recém-nascido, ou dizer a ele que possui um corpo ou mesmo colocá-lo no colo para deixar transparecer o aconchego, é sem dúvida, mostrá-lo que na relação com sua mãe há amor. O que importa é fazê-lo sentir o afeto, já que o corpo de um bebê há tantas sensações.
Outro fato que vale ressaltar é qual foi o imaginário dessa criança para os pais, ou em outras palavras, o que esperavam dele antes mesmo de nascer. Foi planejado? Foi esperado? Foi amado desde o período em que estava na barriga da mãe? Isso vai delimitar o lugar que o bebê ocupa na família, bem como o valor que tem para ela.
Enfim, não basta ser mãe cuidadora, porque isso qualquer pessoa pode fazer. O que tem valor são todos os ingredientes que já citamos anteriormente como o 'olhar', o afeto, o carinho, o aconchego, o toque, a presença, a segurança, etc. Isso sim é o que faz a diferença na relação mãe-bebê.
Podemos citar desde os cuidados básicos com o lactante como alimentar, aquecer no frio, banhar, limpar, mas não apenas isso. É necessário que se passe ao bebê a sensação de aconchego, conforto, afeto, carinho e amor. O toque ou contato (que é também com tato) é mais que pegar; é, sobretudo, delimitar um corpo e erogeinizá-lo. Tocar o neném em seu braço, rosto, cabelo é, acima de tudo, mostrar-lhe sua existência no mundo como um ser que possui um corpo.
O 'olhar' para o bebê é o que demarca sua importância para a família e o lugar que ele ocupa nela. Refiro-me ao olhar que trasborda o amor, a estima, a alegria do descobrimento do mundo pela criança; é o que transmite segurança e auto-confiança para ela. É um olhar que mostra a dedicação, o apoio e o valor dessa criança para seus responsáveis, por fim.
Há estudos feitos em hospitais com bebês pré-maturos, internados em UTI, que comprovam que eles se recuperam mais rápido cuja presença da mãe é regular, provida com toque, carinho e conversas com seu filho. Existem, inclusive, psicólogos que trabalham em UTI neonatal que incentivam e reforçam a importância dessa relação mãe-bebê nesse período difícil para ambos.
O que pode parecer inútil e descabido como conversar com um recém-nascido, ou dizer a ele que possui um corpo ou mesmo colocá-lo no colo para deixar transparecer o aconchego, é sem dúvida, mostrá-lo que na relação com sua mãe há amor. O que importa é fazê-lo sentir o afeto, já que o corpo de um bebê há tantas sensações.
Outro fato que vale ressaltar é qual foi o imaginário dessa criança para os pais, ou em outras palavras, o que esperavam dele antes mesmo de nascer. Foi planejado? Foi esperado? Foi amado desde o período em que estava na barriga da mãe? Isso vai delimitar o lugar que o bebê ocupa na família, bem como o valor que tem para ela.
Enfim, não basta ser mãe cuidadora, porque isso qualquer pessoa pode fazer. O que tem valor são todos os ingredientes que já citamos anteriormente como o 'olhar', o afeto, o carinho, o aconchego, o toque, a presença, a segurança, etc. Isso sim é o que faz a diferença na relação mãe-bebê.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Brincar é coisa séria
Na psicologia muitos são os teóricos que compreenderam a importância do brincar para o desenvolvimento emocional infantil. Freud foi o primeiro a dedicar seus estudos às crianças, com o famoso caso do pequeno "Hans"; também reconheceu o valor da vivência infantil e suas consequências na vida adulta. Depois de Freud, duas vertentes psicanalíticas surgiram com o intuito de sistematizar e adaptar a teoria com uma prática terapêutica infantil; foram Anna Freud (filha de Freud) que lidava com questões de cunho mais pedagógico e Melanie Klein que valorizava o brinquedo como elemento de análise e interpretação dos sintomas nas crianças.
Após o surgimento da psicoterapia infantil com Melanie Klein e Anna Freud, D. W. Winnicott, médico pediatra, foi mais um integrante da teoria psicanalítica. Trabalhou por quarenta anos em um hospital infantil e escreveu suas teorias baseadas na relação mãe-bebê e também na importância do brincar para o desenvolvimento da criança. A psicoterapia infantil centra seus trabalhos nas brincadeiras, o que possibilita a criança a expressão de seus sentimentos e angústias, bem como reorganizar suas vivências nos mais diferentes níveis.
Brincar para a criança é algo essencial para o seu desenvolvimento físico, mental e social e lhe permite experimentar o seu mundo descobrindo mais sobre ele. Através das brincadeiras a criança pode entender e elaborar melhor seus sentimentos acumulados de tensão, insegurança, frustração, agressividade, medo e confusão (Rocha, 1999). A brincadeira é utilizada pela criança como forma de linguagem, pois dessa maneira ela se expressa de uma maneira que não saberia fazer através da fala. Desse modo, o recurso usado pelo terapeuta para viabilizar a comunicação com seus pacientes pequenos é o brinquedo. O profissional deve ter abertura suficiente para brincar com a criança, desde que tenha um objetivo terapêutico.
A ludoterapia é uma forma de intervenção psicológica com crianças que se baseia na brincadeira como meio de auto-expressão. Da mesma maneira que o adulto expõe seus problemas na terapia, a criança faz isso na ludoterapia, brincando. O brincar, dessa maneira, constitui-se em um simbolismo que substitui as palavras e torna, por si só, um gerador de sentido. Com o brinquedo o infante sai de um lugar passivo para uma atividade que facilita a sua compreensão no mundo. A ludoterapia permite à criança ser ela mesma, brincar como quiser sentindo-se mais livre e segura para expressar o que passa consigo.
A personalidade das crianças evolui com a ajuda das brincadeiras elaboradas por elas mesmas ou por intermédio dos adultos. É possível perceber que a criança pequena brinca sozinha ou com sua mãe, isso pelo fato de ser egocêntrica, isto é, centrada em seu próprio Eu; neste momento ela ainda não é capaz de considerar o ponto de vista do outro. A medida que vai desenvolvendo, já tem interesse nas brincadeiras em grupo o que a faz experimentar diferentes papéis sociais. A partir daí, a criança já permite que as outras tenham uma existência independente dela e assim, inicia-se suas relações. A brincadeira é a prova evidente e constante da capacidade criadora (Winnicott, 1975).
Brincar para uma criança é mais importante e saudável que muitos adultos pensam. Ela é capaz de fazer isso com qualquer objeto, sendo brinquedo ou não. Portanto, quando chega ao consultório de um terapeuta um infante que não brinca pode-se concluir que o caso é bastante grave. Brincar é coisa séria e não brincar não é brincadeira.
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Ontem anoite tive a oportunidade de assistir o programa "A Liga", exibido pela Band, que abordou sobre o tema da Liberdade Individual. Dentro desse tema exploraram sobre os seguintes sub-temas: União homo-afetiva; Adoção de filhos por casais homossexuais; Legalização da maconha e a Legalização do aborto.O programa tem a presença de quatro jornalistas (um deles é o Rafinha do CQC) que percorrem o Brasil à procura de pessoas e estórias que servem de exemplo para o tema do dia.
Neste programa, recolheram depoimentos de pessoas nas praias, em bares e também de médicos, especialistas e políticos. Dentre os depoimentos de algumas pessoas, eu confesso que fiquei perplexa com o que ouvi. São falas baseadas em frases que escutamos por aí, e que na minha opinião, não são baseadas em nada. Ou melhor, baseadas no que o povo ouve do povo, ou seja, argumentos retrógados, sem fundamento, sem informação, e o pior, recheados de preconceito e visão limitada que não condiz com a nossa atualidade.
Ouvi coisas do tipo: "Mas se um casal de gay adotar uma criança quem vai ser o pai e quem vai ser a mãe?...a criança vai ficar confusa". Ora!!! Se um casal de gays adotar um filho, este terá DOIS PAIS e não um pai e uma mãe! Que coisa absurda de se ouvir em plena rede nacional! Quando há um casal de gays, por exemplo, eles não querem ser mulheres, e não são. Eles são homens que desejam outros homens. O mesmo ocorre com um casal de mulheres. Ambas são mulheres, e se adotarem um filho as duas serão mães da criança.
Mas aí vem o famoso fragmento que diz: "Mas a criança precisa de ter referência de homem e mulher na sua criação e em caso de casais homossexuais isso vai faltar". Meu Deus! É verdade que uma criança precisa ter referências do que é um homem e do que é uma mulher para o seu desenvolvimento, isso é muito importante. Mas essa vivência não se dá somente em casa, a criança se relaciona com o tio, o avô, o primo, o dono da padaria, com o pai do seu coleguinha, enfim, as referências são múltiplas. Freud diz que é necessário inserir a Lei na relação edipiana. Essa lei é transmitida, sobretudo, pelo pai, mas na verdade ela pode ser inserida por qualquer um. Numa relação com os filhos, um do casal pode exercer o papel da Lei e fazer o corte necessário entre a criança e o que assume a função materna. Percebam, eu falei função materna e não Mãe...essa é a grande diferença.
Outra fala que me deixou atônita foi de um brasileiro que disse: "Se permitirmos a união de homossexuais em todo lugar o que vou dizer para meu filho sobre dois homens se beijando na frente dele?" Meu caro amigo, você vai dizer ao seu filho que são dois homens se beijando. Que no mundo todo tem homem que gosta de beijar mulheres, mas também têm homens que gostam de beijar homens. E que a vida é assim. Quanto mais casais do mesmo sexo forem vistos se beijando, mais familiarizado nós vamos ficando com o fato, mas para isso acontecer é preciso começar.
Outros depoimentos sobre a legalização do aborto também me assustaram, tanto positiva quanto negativamente. As falas são àquelas que já conhecemos; têm pessoas que absorvem a ideia de que abortar é simplesmente matar criancinhas e que isso é um crime imperdoável. As pessoas esquecem de refletir sobre a decisão da mulher em ter um filho ou não; esquecem das condições precárias e desumanas que elas abortam no Brasil; esquecem também de falar da culpa que as mães podem ter por cometer um aborto em um país onde isso é visto como crime, ademais esquecem que milhões de mulheres morrem porque abortam de qualquer jeito, em qualquer lugar e penetram vários objetos para poder matar o feto. As pessoas que aprovam a legalização do aborto defendem a ideia de que a mulher possa ter a decisão de querer ou não ter um filho. E que isso seja feito de maneira adequada, em lugar próprio e do modo certo...sem culpa ou medo de serem pegas porque o Estado não as apóia. Além disso, a defesa é também para que haja um planejamento familiar, formação e informação às mulheres e jovens do Brasil sobre os métodos contraceptivos, sobre os seus direitos, etc.
Mas um depoimento que me deixou pasma, positivamente, foi uma ONG de mulheres católicas que são a favor da legalização do aborto. É isso mesmo. Elas criaram essa instituição porque reconheceram que o argumento da Igreja perante a sexualidade era atrasado e não condizia com a realidade. Fantástico isso! Perceberam que atualmente a condição das mulheres era outra e que podiam ter a escolha de fazer um aborto, se assim fosse conveniente. Surpreendente como têm pessoas que mesmo religiosas conseguem enxergar além do que é imposto pela grande instituição que é a Igreja católica.
Finalmente, a legalização da maconha. Não podemos tapar o sol com a peneira e esquecer que há, no Brasil, milhares de usuários de maconha. São nossos amigos, companheiros, familiares e filhos que fumam um baseado quase que diariamente, se não todos os dias. É uma planta com poder psicoativo e que causa uma dependência psicológica. Têm como efeitos a sonolência, ou um estado de relaxamento, o apaziguamento da ansiedade, a abertura do apetite e até depressão em usuários veteranos, etc. Mas também tem efeitos medicinais como em casos de anorexia (onde o indivíduo evita comer), em casos de portadores de HIV que percebem que sua ansiedade é diminuída por causa do uso da maconha e com isso a carga viral pode ser equilibrada, sem aumentos.
Mas o que eu acho mais importante com a legalização da maconha é que o uso poderá ser liberado para os usuários sem que isso seja uma ofensa a sociedade e ao Estado. Os compradores poderão adquirir a erva legalmente sem o acesso aos traficantes; poderão comprar em cafeterias, bares, de uma forma mais digna. E se "seu filho" ver uma pessoa fumando um baseado na rua, assim como vê tomando uma cerveja ou fumando um cigarro o argumento poderá ser o mesmo: " Existem pessoas que gostam de fumar um cigarro de maconha e isso aqui no Brasil é permitido". As informações dadas aos nosso pequeninos devem ser verdadeiras, claras e sem falso moralismo.
Bem, o que pude concluir com o programa de ontem - A Liga - é que é necessário ainda muita informação, formação e educação antes desses temas irem ao plenário. É preciso uma discussão mundial para a legalização da maconha. É preciso abonar o preconceito podre que cerca a cabeça de muitos brasileiros. A falta de informação, interesse, questionamento e reflexão ainda são bastante perceptíveis.
O ex Big Brother Jean, que hoje é deputado, apareceu dando sua visão sobre esses assuntos. É um homem muito interessante do ponto de vista profissional. Com argumentos sólidos, visão ampla, inteligente. Adorei ouvi-lo, embora eu não goste nenhum pouco de reality shows, eu tenho que reconhecer que o Jean é um ex Big Brother que pensa e que está antenado com as demandas do mundo.
Não é de se estranhar que os países desenvolvidos são os que mais têm a legalização do aborto, da maconha e da união homo-afetiva. O próprio nome já diz (desenvolvido) e para nós, brasileiros, chegarmos lá é preciso ainda uma boa estrada.
Neste programa, recolheram depoimentos de pessoas nas praias, em bares e também de médicos, especialistas e políticos. Dentre os depoimentos de algumas pessoas, eu confesso que fiquei perplexa com o que ouvi. São falas baseadas em frases que escutamos por aí, e que na minha opinião, não são baseadas em nada. Ou melhor, baseadas no que o povo ouve do povo, ou seja, argumentos retrógados, sem fundamento, sem informação, e o pior, recheados de preconceito e visão limitada que não condiz com a nossa atualidade.
Ouvi coisas do tipo: "Mas se um casal de gay adotar uma criança quem vai ser o pai e quem vai ser a mãe?...a criança vai ficar confusa". Ora!!! Se um casal de gays adotar um filho, este terá DOIS PAIS e não um pai e uma mãe! Que coisa absurda de se ouvir em plena rede nacional! Quando há um casal de gays, por exemplo, eles não querem ser mulheres, e não são. Eles são homens que desejam outros homens. O mesmo ocorre com um casal de mulheres. Ambas são mulheres, e se adotarem um filho as duas serão mães da criança.
Mas aí vem o famoso fragmento que diz: "Mas a criança precisa de ter referência de homem e mulher na sua criação e em caso de casais homossexuais isso vai faltar". Meu Deus! É verdade que uma criança precisa ter referências do que é um homem e do que é uma mulher para o seu desenvolvimento, isso é muito importante. Mas essa vivência não se dá somente em casa, a criança se relaciona com o tio, o avô, o primo, o dono da padaria, com o pai do seu coleguinha, enfim, as referências são múltiplas. Freud diz que é necessário inserir a Lei na relação edipiana. Essa lei é transmitida, sobretudo, pelo pai, mas na verdade ela pode ser inserida por qualquer um. Numa relação com os filhos, um do casal pode exercer o papel da Lei e fazer o corte necessário entre a criança e o que assume a função materna. Percebam, eu falei função materna e não Mãe...essa é a grande diferença.
Outra fala que me deixou atônita foi de um brasileiro que disse: "Se permitirmos a união de homossexuais em todo lugar o que vou dizer para meu filho sobre dois homens se beijando na frente dele?" Meu caro amigo, você vai dizer ao seu filho que são dois homens se beijando. Que no mundo todo tem homem que gosta de beijar mulheres, mas também têm homens que gostam de beijar homens. E que a vida é assim. Quanto mais casais do mesmo sexo forem vistos se beijando, mais familiarizado nós vamos ficando com o fato, mas para isso acontecer é preciso começar.
Outros depoimentos sobre a legalização do aborto também me assustaram, tanto positiva quanto negativamente. As falas são àquelas que já conhecemos; têm pessoas que absorvem a ideia de que abortar é simplesmente matar criancinhas e que isso é um crime imperdoável. As pessoas esquecem de refletir sobre a decisão da mulher em ter um filho ou não; esquecem das condições precárias e desumanas que elas abortam no Brasil; esquecem também de falar da culpa que as mães podem ter por cometer um aborto em um país onde isso é visto como crime, ademais esquecem que milhões de mulheres morrem porque abortam de qualquer jeito, em qualquer lugar e penetram vários objetos para poder matar o feto. As pessoas que aprovam a legalização do aborto defendem a ideia de que a mulher possa ter a decisão de querer ou não ter um filho. E que isso seja feito de maneira adequada, em lugar próprio e do modo certo...sem culpa ou medo de serem pegas porque o Estado não as apóia. Além disso, a defesa é também para que haja um planejamento familiar, formação e informação às mulheres e jovens do Brasil sobre os métodos contraceptivos, sobre os seus direitos, etc.
Mas um depoimento que me deixou pasma, positivamente, foi uma ONG de mulheres católicas que são a favor da legalização do aborto. É isso mesmo. Elas criaram essa instituição porque reconheceram que o argumento da Igreja perante a sexualidade era atrasado e não condizia com a realidade. Fantástico isso! Perceberam que atualmente a condição das mulheres era outra e que podiam ter a escolha de fazer um aborto, se assim fosse conveniente. Surpreendente como têm pessoas que mesmo religiosas conseguem enxergar além do que é imposto pela grande instituição que é a Igreja católica.
Finalmente, a legalização da maconha. Não podemos tapar o sol com a peneira e esquecer que há, no Brasil, milhares de usuários de maconha. São nossos amigos, companheiros, familiares e filhos que fumam um baseado quase que diariamente, se não todos os dias. É uma planta com poder psicoativo e que causa uma dependência psicológica. Têm como efeitos a sonolência, ou um estado de relaxamento, o apaziguamento da ansiedade, a abertura do apetite e até depressão em usuários veteranos, etc. Mas também tem efeitos medicinais como em casos de anorexia (onde o indivíduo evita comer), em casos de portadores de HIV que percebem que sua ansiedade é diminuída por causa do uso da maconha e com isso a carga viral pode ser equilibrada, sem aumentos.
Mas o que eu acho mais importante com a legalização da maconha é que o uso poderá ser liberado para os usuários sem que isso seja uma ofensa a sociedade e ao Estado. Os compradores poderão adquirir a erva legalmente sem o acesso aos traficantes; poderão comprar em cafeterias, bares, de uma forma mais digna. E se "seu filho" ver uma pessoa fumando um baseado na rua, assim como vê tomando uma cerveja ou fumando um cigarro o argumento poderá ser o mesmo: " Existem pessoas que gostam de fumar um cigarro de maconha e isso aqui no Brasil é permitido". As informações dadas aos nosso pequeninos devem ser verdadeiras, claras e sem falso moralismo.
Bem, o que pude concluir com o programa de ontem - A Liga - é que é necessário ainda muita informação, formação e educação antes desses temas irem ao plenário. É preciso uma discussão mundial para a legalização da maconha. É preciso abonar o preconceito podre que cerca a cabeça de muitos brasileiros. A falta de informação, interesse, questionamento e reflexão ainda são bastante perceptíveis.
O ex Big Brother Jean, que hoje é deputado, apareceu dando sua visão sobre esses assuntos. É um homem muito interessante do ponto de vista profissional. Com argumentos sólidos, visão ampla, inteligente. Adorei ouvi-lo, embora eu não goste nenhum pouco de reality shows, eu tenho que reconhecer que o Jean é um ex Big Brother que pensa e que está antenado com as demandas do mundo.
Não é de se estranhar que os países desenvolvidos são os que mais têm a legalização do aborto, da maconha e da união homo-afetiva. O próprio nome já diz (desenvolvido) e para nós, brasileiros, chegarmos lá é preciso ainda uma boa estrada.
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