As
mídias exercem forte poder sobre as pessoas tratando os adolescentes como
criminosos e com capacidade de exercer perigo. Alguns realmente são, no
entanto, os argumentos utilizados são exagerados, sem conhecimento e apoiados
no senso comum, o que não esclarece nada, ao contrário, estigmatiza ainda mais
os jovens. Nesse sentido, ela é tendenciosa.
Adolescentes são jovens entre 12 e 18 anos que estão em peculiar estados de
desenvolvimento. Há pessoas que dizem que os adolescentes não são responsáveis
pelos seus atos, e por isso devem ser presos por cometerem crimes, mas a
própria Psicologia age como ele sendo autor de suas escolhas. Nós os
responsabilizamos pelos seus atos. Argumentam que são incontroláveis e fazem o
que querem. Isso é outro mito, pois as medidas socioeducativas prezam a
responsabilidade gradativa, ou seja, aos poucos vão conhecendo seus limites,
direitos e deveres.
O
Estado tem o dever de proteger os jovens e não criminalizá-los e culpá-los.
Sendo assim, a cada discussão favorável a redução da maioridade penal
sobrecarrega esses jovens colocando-o pagador de uma conta que não é dele. Eles
tornam-se vítimas. Além disso, os adolescentes morrem mais nesse mundo violento
do qual vivemos do que cometem crimes. Muitas vezes são chantageados e coagidos
e um crime cometido por um jovem de 12 anos, por exemplo, torna-se
contingencial. Os acessos ao mundo do crime são passados pela cultura em que
vivem e se não há outros valores e sentidos a serem transmitidos é perigoso que
eles percebam essa forma como a mais sedutora e fácil. Mais uma vez é preciso
protegê-los. Os crimes cometidos por adolescentes têm uma pena maior do que se
fosse um adulto. E a minoria desses crimes (7%, 8%) é causado por eles e não a
maioria, como dizem por aí.
Outro mito e talvez o mais grave seja iludir-se com a ideia de que a
redução da maioridade vai diminuir a violência e a criminalidade. A punição não
vai diminuir a criminalidade. O problema não será resolvido, aliás, vai se
agravar ainda mais os problemas carcerários e os mandatos não serão cumpridos.
Então, o Estado vai se tornar um irresponsável, pois não poderá arcar com o
cumprimento da pena e esses jovens terão que ser soltos. Após a vivência em um
cárcere no Brasil sabemos bem que a mente de uma pessoa muda e a revolta dos
jovens aumentará. Ele sairá pior e deseducado. O Estado terá sido irresponsável
com esse jovem. Os adolescentes devem receber medidas socioeducativas para
reinventarem um novo sentido para suas vidas e não ser encarcerado. No entanto,
é mais cômodo encarcerar que reeducar, ressocializar, reconstruir e instruir.
Para adotar essas medidas são necessárias políticas públicas e investimento do
Estado.
Em nenhum país foi presenciado a diminuição da criminalidade com a
redução da maioridade penal. Em alguns estados dos Estados Unidos, por exemplo,
ela até aumentou. A redução não resolve o problema e muito menos sua causa.
A criminalização de tudo imprime uma responsabilidade ao Estado para que
ele investigue, averigue, fiscalize e pontue ativamente. Se isso não ocorre, há
desmoralização do Estado e ele perde suas forças. É preciso conseguir fazer
àquilo que se propõe. E o Estado está preparado para isso?
Tem-se a fantasia de que o controle não vai evitar as tentativas, mas
sim o fim, o ato em si. Então, as pessoas vão se sentir mais tranquilas e o
controle sobre as ações vão aumentar ainda mais. Instala-se aí o totalitarismo,
ou seja, o controle de tudo. Ao mesmo tempo, a perda total de controle, pois
quanto mais se tenta barrar um ato, mais alternativas vão sendo criados para
burlar o controle.
Enfim, o controle, a redução da maioridade penal, a culpabilização, o
encarceramento e as medidas que se pretendem adotar não vão resolver a questão
da criminalidade e da violência. As medidas socioeducativas, os investimentos
na educação e nas políticas públicas continuam sendo o melhor caminho. Os
adolescentes não merecem pagar uma conta por erro do Estado. Eles devem ser protegidos
e resguardados por ele; essa é sua obrigação e direito dos jovens.
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