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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O recolhimento compulsório dos dependentes químicos e suas nuances

               Já alguns meses, vem se discutindo muito sobre o "Recolhimento compulsório" de crianças e adolescentes nas ruas dependentes de drogas. Há controvérsias, discussões contra e a favor. É um tema polêmico que vamos fazer algumas reflexões agora.
               "Recolhimento compulsório" é a retirada obrigatória de dependentes químicos das ruas. Em outras palavras, eles não têm escolha de decidir sobre essa conduta, já que a decisão vem das autoridades. É uma ação conjunta com a polícia militar para resguardar a segurança dos demais que circulam pelos locais. Geralmente, também há resistência desses usuários de drogas em serem levados à força, já que estão totalmente dependentes da droga. No momento da ação, é observado violência por parte dos recolhidos (pontapés, tentativas de fuga, xingamentos) em resultado da abstinência da droga. Ainda assim, eles são levados.
                A palavra 'recolhimento' nos remete à retirada, limpeza, organizar o desorganizado. Não há dúvidas que a atitude do Governo tenta ser a melhor possível. Resgatar a vida, a dignidade, o contato com a família, etc. Mas será que essa é a melhor maneira?
               Ainda que pensemos nesses transeuntes viciados como vítimas da droga e aparentemente incapazes de decidir e escolher sobre sua própria recuperação, precisamos acreditar que em algum momento haverá uma luz que acenda sobre esse dependente. É preciso haver acolhimento, não recolhimento. Tratamento é encontrar uma porta aberta, mas para entrar tem que ser uma escolha livre. É do ser humano querer se salvar, se recuperar, retomar a vida plena; o que as autoridades precisam fazer é providenciar lugares e profissionais que estejam de plantão para acolher a chegada dos dependentes. 
              Há em Belo Horizonte, psicólogos e assistentes sociais que trabalham nas ruas e na cracolândia a fim de abrirem um espaço para que esses usuários possam falar e receber apoio. Na realidade eles vão se quiser e quando quiser. Mas o importante é que esses profissionais estarão pelos locais, ou seja, disponíveis. Isso nos remete a idéia de que há solução, no entanto a vinda ou escolha tem que partir do próprio viciado. Caso contrário, o resultado não será satisfatório.
              Outro ponto bastante discutido nos debates e com as autoridades se trata dos locais onde esses recuperados irão após o tratamento feito. Será que haverá o apoio da família? Será que voltarão para as ruas? O trabalho deve ser feito amplamente: junto com os familiares (é necessário encontrá-los para apoiar o sujeito), com psicólogos, médicos, nutricionistas, etc.
              Finalmente, é preciso acreditar no sujeito, bem como na sua capacidade de recuperação. Pois, possibilidade há, profissionais acessíveis também, mas o passo inicial deve ser do viciado e não recolhidos obrigatoriamente. Acredito que dessa maneira o resultado terá mais chances de dar certo. Que assim seja!
              

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