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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

HIV e aspectos psicológicos: o que há de comum?

          Em lembrança ao dia 1º de dezembro, Dia Internacional da Luta contra a AIDS, recordei de um artigo muito interessante que li na época da faculdade. O guardei para posteriores consultas e quero trazer a ideia central para conhecimento de todos. O artigo cujo nome é: Psiconeuroimunologia e infecção por HIV: Realidade ou ficção? de Sara Ulla e Eduardo Augusto Remor, foi publicado em 2002.

          O texto procura estabelecer as relações entre a Psiconeuroimunologia (PNI) e os portadores do vírus HIV. A PNI é um campo interdisciplinar que tenta criar laços entre as neurociências e a imunologia. Em outras palavras, o comportamento, as emoções e outros aspectos psicológicos em relação ao sistema nervoso, imunitário e endócrino. Segundo as pesquisas feitas os fatores psicossociais, como controle do estresse, estratégias de enfrentamento, apoio social, hábitos e estilos de vida podem estar associados com a evolução da carga viral. 

          Pode-se dizer que um pior estado de ânimo, maior nível de estresse ou estratégias de enfrentamento mal direcionadas para a solução dos problemas podem fazer com que o vírus progrida mais velozmente contribuindo para um prognóstico negativo. 

          Em relação ao estresse, um dos fatores psicológicos estudados, seu alto nível pode levar ao desequilíbrio de vários sistemas ou órgãos porque obriga o organismo a manter uma ativação de suas possibilidades e dá lugar a um desgaste excessivo com possíveis alterações ou deterioração no funcionamento dos órgãos ou sistemas alvo. No caso do sistema imunológico, concluiu-se que o alto nível de estresse pode derivar em menor competência imunitária ou diminuir a quantia de diferentes subtipos celulares. Também, verificou-se a relação entre elevado nível de estresse e rápida evolução do HIV.
Sabe-se também que o estresse pode influenciar na produção de citocinas (grande grupo de moléculas que intervêm nos sinais produzidos entre as células durante a resposta imunológica e garantem o bom funcionamento do sistema), afetar processos inflamatórios, reativar vírus latentes, interferir na imunidade local da pele e propiciar infecções cutâneas. Em suma, esses dados indicam que o alto nível de estresse pode acelerar a produção viral e desenvolver a sintomatologia da AIDS. 

          Sobre as estratégias de enfrentamento, averiguou-se que mudanças ajustadas e adaptativas ao estilo cognitivo podem alterar positivamente na resposta de anticorpos. Um enfrentamento ativo e uma confrontação adequada das próprias emoções estariam relacionadas com um melhor nível da função imunológica. Portanto, as estratégias de enfrentamento adaptativas funcionariam como protetoras da aceleração viral. 

          O apoio social, outro fator psicológico analisado, atuaria sobre o nível de estresse e à modulação do indivíduo ao caráter ameaçador e ao controle da situação de risco. Em uma pesquisa feita em macacos Rhesus, encontrou-se uma diminuição da progressão do vírus HIV nos animais que mostraram um nível de interação e sociabilidade maiores. Estudos realizados em humanos também se verificaram a importância dos fatores sociais sobre a influência dos parâmetros imunológicos. Para os autores, o apoio social estaria atuando como modulador da resposta de estresse diante de eventos ameaçadores para a pessoa. Assim, comportamentos de afiliação e fortes laços sociais favoreceriam a competência imunitária e o adequado estado de saúde. 

          Os hábitos e estilos de vida também são relevantes para a qualidade do sistema imunológico e, consequentemente, para a regressão da carga viral. A prática de exercícios aeróbicos e o sono são fatores que acarretam efeitos positivos para o sistema imunológico. Entre um grupo que praticava atividade física, ocorreu alívio do mal-estar afetivo, em comparação ao grupo que não praticou atividade alguma. 

          Enfim, através das pesquisas feitas e dos estudos realizados, Ulla (2002) e Remor (2002) compreenderam que o alto nível de estresse, as estratégias de enfrentamento mal direcionadas às soluções dos problemas, estilos de vida inapropriados e frágeis laços sociais podem contribuir para a proliferação da carga do vírus HIV. Nesse sentido, as intervenções psicológicas direcionadas ao ajustamento do indivíduo e ao adequado controle do estresse estariam colaborando para a manutenção dos níveis imunológicos adequados, assim como a retenção da progressão da doença. 




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