Em lembrança ao dia 1º de dezembro, Dia Internacional da Luta
contra a AIDS, recordei de um artigo muito interessante que li na época da
faculdade. O guardei para posteriores consultas e quero trazer a ideia central
para conhecimento de todos. O artigo cujo nome é: Psiconeuroimunologia e infecção por
HIV: Realidade ou ficção? de
Sara Ulla e Eduardo Augusto Remor, foi publicado em 2002.
O texto procura estabelecer as relações
entre a Psiconeuroimunologia (PNI) e os portadores do vírus HIV. A PNI é um
campo interdisciplinar que tenta criar laços entre as neurociências e a
imunologia. Em outras palavras, o comportamento, as emoções e outros aspectos
psicológicos em relação ao sistema nervoso, imunitário e endócrino. Segundo as
pesquisas feitas os fatores psicossociais, como controle do estresse,
estratégias de enfrentamento, apoio social, hábitos e estilos de vida podem
estar associados com a evolução da carga viral.
Pode-se dizer que um pior estado de ânimo,
maior nível de estresse ou estratégias de enfrentamento mal direcionadas para a
solução dos problemas podem fazer com que o vírus progrida mais velozmente
contribuindo para um prognóstico negativo.
Em relação ao estresse, um dos fatores
psicológicos estudados, seu alto nível pode levar ao desequilíbrio de vários
sistemas ou órgãos porque obriga o organismo a manter uma ativação de suas
possibilidades e dá lugar a um desgaste excessivo com possíveis alterações ou
deterioração no funcionamento dos órgãos ou sistemas alvo. No caso do sistema
imunológico, concluiu-se que o alto nível de estresse pode derivar em menor
competência imunitária ou diminuir a quantia de diferentes subtipos celulares.
Também, verificou-se a relação entre elevado nível de estresse e rápida
evolução do HIV.
Sabe-se também que o estresse pode
influenciar na produção de citocinas (grande grupo de moléculas que intervêm
nos sinais produzidos entre as células durante a resposta imunológica e
garantem o bom funcionamento do sistema), afetar processos inflamatórios,
reativar vírus latentes, interferir na imunidade local da pele e propiciar
infecções cutâneas. Em suma, esses dados indicam que o alto nível de estresse
pode acelerar a produção viral e desenvolver a sintomatologia da AIDS.
Sobre as estratégias de enfrentamento, averiguou-se
que mudanças ajustadas e adaptativas ao estilo cognitivo podem alterar
positivamente na resposta de anticorpos. Um enfrentamento ativo e uma
confrontação adequada das próprias emoções estariam relacionadas com um melhor
nível da função imunológica. Portanto, as estratégias de enfrentamento
adaptativas funcionariam como protetoras da aceleração viral.
O apoio social, outro fator psicológico
analisado, atuaria sobre o nível de estresse e à modulação do indivíduo ao
caráter ameaçador e ao controle da situação de risco. Em uma pesquisa feita em
macacos Rhesus, encontrou-se uma diminuição da progressão do vírus HIV nos
animais que mostraram um nível de interação e sociabilidade maiores. Estudos
realizados em humanos também se verificaram a importância dos fatores sociais
sobre a influência dos parâmetros imunológicos. Para os autores, o apoio social
estaria atuando como modulador da resposta de estresse diante de eventos
ameaçadores para a pessoa. Assim, comportamentos de afiliação e fortes laços
sociais favoreceriam a competência imunitária e o adequado estado de
saúde.
Os hábitos e estilos de vida também são
relevantes para a qualidade do sistema imunológico e, consequentemente, para a
regressão da carga viral. A prática de exercícios aeróbicos e o sono são
fatores que acarretam efeitos positivos para o sistema imunológico. Entre um
grupo que praticava atividade física, ocorreu alívio do mal-estar afetivo, em
comparação ao grupo que não praticou atividade alguma.
Enfim, através das pesquisas feitas e dos
estudos realizados, Ulla (2002) e Remor (2002) compreenderam que o alto nível
de estresse, as estratégias de enfrentamento mal direcionadas às soluções dos
problemas, estilos de vida inapropriados e frágeis laços sociais podem
contribuir para a proliferação da carga do vírus HIV. Nesse sentido, as
intervenções psicológicas direcionadas ao ajustamento do indivíduo e ao
adequado controle do estresse estariam colaborando para a manutenção dos níveis
imunológicos adequados, assim como a retenção da progressão da doença.
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