Na psicologia muitos são os teóricos que compreenderam a importância do brincar para o desenvolvimento emocional infantil. Freud foi o primeiro a dedicar seus estudos às crianças, com o famoso caso do pequeno "Hans"; também reconheceu o valor da vivência infantil e suas consequências na vida adulta. Depois de Freud, duas vertentes psicanalíticas surgiram com o intuito de sistematizar e adaptar a teoria com uma prática terapêutica infantil; foram Anna Freud (filha de Freud) que lidava com questões de cunho mais pedagógico e Melanie Klein que valorizava o brinquedo como elemento de análise e interpretação dos sintomas nas crianças.
Após o surgimento da psicoterapia infantil com Melanie Klein e Anna Freud, D. W. Winnicott, médico pediatra, foi mais um integrante da teoria psicanalítica. Trabalhou por quarenta anos em um hospital infantil e escreveu suas teorias baseadas na relação mãe-bebê e também na importância do brincar para o desenvolvimento da criança. A psicoterapia infantil centra seus trabalhos nas brincadeiras, o que possibilita a criança a expressão de seus sentimentos e angústias, bem como reorganizar suas vivências nos mais diferentes níveis.
Brincar para a criança é algo essencial para o seu desenvolvimento físico, mental e social e lhe permite experimentar o seu mundo descobrindo mais sobre ele. Através das brincadeiras a criança pode entender e elaborar melhor seus sentimentos acumulados de tensão, insegurança, frustração, agressividade, medo e confusão (Rocha, 1999). A brincadeira é utilizada pela criança como forma de linguagem, pois dessa maneira ela se expressa de uma maneira que não saberia fazer através da fala. Desse modo, o recurso usado pelo terapeuta para viabilizar a comunicação com seus pacientes pequenos é o brinquedo. O profissional deve ter abertura suficiente para brincar com a criança, desde que tenha um objetivo terapêutico.
A ludoterapia é uma forma de intervenção psicológica com crianças que se baseia na brincadeira como meio de auto-expressão. Da mesma maneira que o adulto expõe seus problemas na terapia, a criança faz isso na ludoterapia, brincando. O brincar, dessa maneira, constitui-se em um simbolismo que substitui as palavras e torna, por si só, um gerador de sentido. Com o brinquedo o infante sai de um lugar passivo para uma atividade que facilita a sua compreensão no mundo. A ludoterapia permite à criança ser ela mesma, brincar como quiser sentindo-se mais livre e segura para expressar o que passa consigo.
A personalidade das crianças evolui com a ajuda das brincadeiras elaboradas por elas mesmas ou por intermédio dos adultos. É possível perceber que a criança pequena brinca sozinha ou com sua mãe, isso pelo fato de ser egocêntrica, isto é, centrada em seu próprio Eu; neste momento ela ainda não é capaz de considerar o ponto de vista do outro. A medida que vai desenvolvendo, já tem interesse nas brincadeiras em grupo o que a faz experimentar diferentes papéis sociais. A partir daí, a criança já permite que as outras tenham uma existência independente dela e assim, inicia-se suas relações. A brincadeira é a prova evidente e constante da capacidade criadora (Winnicott, 1975).
Brincar para uma criança é mais importante e saudável que muitos adultos pensam. Ela é capaz de fazer isso com qualquer objeto, sendo brinquedo ou não. Portanto, quando chega ao consultório de um terapeuta um infante que não brinca pode-se concluir que o caso é bastante grave. Brincar é coisa séria e não brincar não é brincadeira.
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