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quarta-feira, 25 de maio de 2011

           Ontem anoite tive a oportunidade de assistir o programa "A Liga", exibido pela Band, que abordou sobre o tema da Liberdade Individual. Dentro desse tema exploraram sobre os seguintes sub-temas: União homo-afetiva; Adoção de filhos por casais homossexuais; Legalização da maconha e a Legalização do aborto.O programa tem a presença de quatro jornalistas (um deles é o Rafinha do CQC) que percorrem o Brasil à procura de pessoas e estórias que servem de exemplo para o tema do dia.
           Neste programa, recolheram depoimentos de pessoas nas praias, em bares e também de médicos, especialistas e políticos. Dentre os depoimentos de algumas pessoas, eu confesso que fiquei perplexa com o que ouvi. São falas baseadas em frases que escutamos por aí, e que na minha opinião, não são baseadas em nada. Ou melhor, baseadas no que o povo ouve do povo, ou seja, argumentos retrógados, sem fundamento, sem informação, e o pior, recheados de preconceito e visão limitada que não condiz com a nossa atualidade.
            Ouvi coisas do tipo: "Mas se um casal de gay adotar uma criança quem vai ser o pai e quem vai ser a mãe?...a criança vai ficar confusa". Ora!!! Se um casal de gays adotar um filho, este terá DOIS PAIS e não um pai e uma mãe! Que coisa absurda de se ouvir em plena rede nacional! Quando há um casal de gays, por exemplo, eles não querem ser mulheres, e não são. Eles são homens que desejam outros homens. O mesmo ocorre com um casal de mulheres. Ambas são mulheres, e se adotarem um filho as duas serão mães da criança.
              Mas aí vem o famoso fragmento que diz: "Mas a criança precisa de ter referência de homem e mulher na sua criação e em caso de casais homossexuais isso vai faltar". Meu Deus! É verdade que uma criança precisa ter referências do que é um homem e do que é uma mulher para o seu desenvolvimento, isso é muito importante. Mas essa vivência não se dá somente em casa, a criança se relaciona com o tio, o avô, o primo, o dono da padaria, com o pai do seu coleguinha, enfim, as referências são múltiplas. Freud diz que é necessário inserir a Lei na relação edipiana. Essa lei é transmitida, sobretudo, pelo pai, mas na verdade ela pode ser inserida por qualquer um. Numa relação com os filhos, um do casal pode exercer o papel da Lei e fazer o corte necessário entre a criança e o que assume a função materna. Percebam, eu falei função materna e não Mãe...essa é a grande diferença.
               Outra fala que me deixou atônita foi de um brasileiro que disse: "Se permitirmos a união de homossexuais em todo lugar o que vou dizer para meu filho sobre dois homens se beijando na frente dele?" Meu caro amigo, você vai dizer ao seu filho que são dois homens se beijando. Que no mundo todo tem homem que gosta de beijar mulheres, mas também têm homens que gostam de beijar homens. E que a vida é assim. Quanto mais casais do mesmo sexo forem vistos se beijando, mais familiarizado nós vamos ficando com o fato, mas para isso acontecer é preciso começar.
               Outros depoimentos sobre a legalização do aborto também me assustaram, tanto positiva quanto negativamente. As falas são àquelas que já conhecemos; têm pessoas que absorvem a ideia de que abortar é simplesmente matar criancinhas e que isso é um crime imperdoável. As pessoas esquecem de refletir sobre a decisão da mulher em ter um filho ou não; esquecem das condições precárias e desumanas que elas abortam no Brasil; esquecem também de falar da culpa que as mães podem ter por cometer um aborto em um país onde isso é visto como crime, ademais esquecem que milhões de mulheres morrem porque abortam de qualquer jeito, em qualquer lugar e penetram vários objetos para poder matar o feto. As pessoas que aprovam a legalização do aborto defendem a ideia de que a mulher possa ter a decisão de querer ou não ter um filho. E que isso seja feito de maneira adequada, em lugar próprio e do modo certo...sem culpa ou medo de serem pegas porque o Estado não as apóia. Além disso, a defesa é também para que haja um planejamento familiar, formação e informação às mulheres e jovens do Brasil sobre os métodos contraceptivos, sobre os seus direitos, etc.
               Mas um depoimento que me deixou pasma, positivamente, foi uma ONG de mulheres católicas que são a favor da legalização do aborto. É isso mesmo. Elas criaram essa instituição porque reconheceram que o argumento da Igreja perante a sexualidade era atrasado e não condizia com a realidade. Fantástico isso! Perceberam que atualmente a condição das mulheres era outra e que podiam ter a escolha de fazer um aborto, se assim fosse conveniente. Surpreendente como têm pessoas que mesmo religiosas conseguem enxergar além do que é imposto pela grande instituição que é a Igreja católica.
               Finalmente, a legalização da maconha. Não podemos tapar o sol com a peneira e esquecer que há, no Brasil, milhares de usuários de maconha. São nossos amigos, companheiros, familiares e filhos que fumam um baseado quase que diariamente, se não todos os dias. É uma planta com poder psicoativo e que causa uma dependência psicológica. Têm como efeitos a sonolência, ou um estado de relaxamento, o apaziguamento da ansiedade, a abertura do apetite e até depressão em usuários veteranos, etc. Mas também tem efeitos medicinais como em casos de anorexia (onde o indivíduo evita comer), em casos de portadores de HIV que percebem que sua ansiedade é diminuída por causa do uso da maconha e com isso a carga viral pode ser equilibrada, sem aumentos.
             Mas o que eu acho mais importante com a legalização da maconha é que o uso poderá ser liberado para os usuários sem que isso seja uma ofensa a sociedade e ao Estado. Os compradores poderão adquirir a erva legalmente sem o acesso aos traficantes; poderão comprar em cafeterias, bares, de uma forma mais digna. E se "seu filho" ver uma pessoa fumando um baseado na rua, assim como vê tomando uma cerveja ou fumando um cigarro o argumento poderá ser o mesmo: " Existem pessoas que gostam de fumar um cigarro de maconha e isso aqui no Brasil é permitido". As informações dadas aos nosso pequeninos devem ser verdadeiras, claras e sem falso moralismo.
             Bem, o que pude concluir com o programa de ontem - A Liga - é que é necessário ainda muita informação, formação e educação antes desses temas irem ao plenário. É preciso uma discussão mundial para a legalização da maconha. É preciso abonar o preconceito podre que cerca a cabeça de muitos brasileiros. A falta de informação, interesse, questionamento e reflexão ainda são bastante perceptíveis.
             O ex Big Brother Jean, que hoje é deputado, apareceu dando sua visão sobre esses assuntos. É um homem muito interessante do ponto de vista profissional. Com argumentos sólidos, visão ampla, inteligente. Adorei ouvi-lo, embora eu não goste nenhum pouco de reality shows, eu tenho que reconhecer que o Jean é um ex Big Brother que pensa e que está antenado com as demandas do mundo.
              Não é de se estranhar que os países desenvolvidos são os que mais têm a legalização do aborto, da maconha e da união homo-afetiva. O próprio nome já diz (desenvolvido) e para nós, brasileiros, chegarmos lá é preciso ainda uma boa estrada.

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