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segunda-feira, 16 de maio de 2011

A feminilidade em psicanálise


De acordo com a biologia, feminino e masculino se definem pelas características sexuais primárias e secundárias, que são os órgãos externos e internos. Já para a psicanálise, feminino e masculino vai além da anatomia e contém aspectos mais profundos que explicam os comportamentos psíquicos.
Para Freud, a feminilidade é revelada quando a criança do sexo feminino conseguiu, pelo menos parcialmente, realizar sua mudança de zona erógena, ou seja, do clitóris para a vagina e de objeto de amor (da mãe para o pai). E espera-se que no curso normal do desenvolvimento ela haverá de passar desse objeto paterno para sua escolha objetal definitiva.
Segundo Freud, a menina ainda quando criança nota o pênis de um irmão ou do próprio pai e, imediatamente, se identifica com um correspondente imperceptível e infinitamente menor em seu corpo. A partir de então, a menina se torna invejosa do pênis. Ela o viu, sabe que não tem e deseja tê-lo. Está aí instaurada a falta e o desejo de ter o que não se tem. Nesse momento, está presente a castração na menina, isto é, quando ela descobre a ausência do pênis na mãe e conseqüentemente, em si mesma.
Freud constatou em análise que as meninas responsabilizam sua mãe pela falta do pênis nelas e não perdoam por terem sido, desse modo, colocadas em desvantagem. O desejo que leva menina a volta-se para seu pai é, sem dúvida, originalmente o desejo de possuir o pênis que a mãe lhe recusou e que agora espera obter de seu pai. No entanto, a situação feminina só se estabelece se o desejo do pênis for substituído pelo desejo de um bebê, isto é, se um bebê assume o lugar do pênis. Dessa maneira, ocorre uma primitiva equivalência simbólica.
 Enquanto a menina se inveja de um pênis que ela não tem, o menino ao perceber que a mãe também não tem, se vê numa situação de perda eminente desse pênis, melhor dizendo, na ameaça da castração.
Assim, o menino por ter um pênis, consegue simbolizar algo que é da ordem do ter; Lacan vai chamar isso de falo. Já a menina será representada pela falta, em outras palavras, não há um representante simbólico do qual ela possa se identificar, como no caso do menino. Dessa maneira, falta à mulher algo que se insira no registro do simbólico, sendo ela o ser da negação. Dito de outro modo, a ausência do falo é a definição de mulher, segundo Lacan. Não há nada que a define, já que ela não possui o falo. É diante desse vazio estrutural, dessa falta inconsciente que a mulher pode demanda e desejar.
Feminilidade em psicanálise tem uma condição de ser desejante, e isso só poderá acontecer se à mulher falta. Só se pode desejar àquilo que falta. Se ela encontrar algo que a preencha, irá construir outro objeto para o seu desejo. Uma mulher pode até desejar, mas, além disso, ela deseja ocupar uma posição de ser causa do desejo do outro. Àquilo que a ela faltou na infância e que a definiu como mulher, ela vem agora tentar resgatar. Será uma busca infindável daquilo que lhe falta: o falo.
A posição tipicamente feminina de desejar e ser causa do desejo vai até a adultez e também pode ser percebida nas relações amorosas das quais a mulher se submete. Querer um homem que a deseje, que a complete e que a ame como única são características do querer da mulher, da feminilidade. Desejar ser única para o amor de um homem surge a partir da falta. É a partir dela que a mulher pode sustentar querer ser o objeto de desejo do outro, ou seja, causa do desejo de um homem.
André (1987) vai dizer que a posição feminina consiste em ser não-toda sujeito. Não-toda sujeito significa que uma mulher é não-toda determinada por seu inconsciente. Dizendo de outra forma, é a partir da falta do significante que se define a mulher.
É desse lugar de querer ser a causa do desejo do outro sustentado pela falta, que a mulher provoca o desejo do seu parceiro para que ele possa lhe dar àquilo que a ela falta. No movimento de desejar o que falta à mulher, ela ocupa uma posição que é, por excelência, feminina.

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