“No fundo nem somos só o que herdamos nem apenas o que adquirimos, mas a relação dinâmica, processual do que herdamos e do que adquirimos”. (Freire, s/d, p.93)
A aprendizagem é a capacidade de mudar determinado comportamento mediante a experiência vivida. Para que isso seja possível, o sujeito necessita maturar seus neurônios através do processo de mielinização que se dá desde que o bebê nasce. O processo de aprendizagem depende de uma bagagem neuronal (estrutura dos neurônios), relacional (é preciso do “olhar” do outro) e social (da cultura em que estamos inseridos).
Qualquer sujeito é capaz de aprender, no entanto, sem a memória o aprendizado não se consolida, pois é preciso guardar as idéias. Por outro lado, não absorvemos tudo que nos é apresentado, há uma filtragem do que vai para nossa memória. Memorizamos o que é importante e subjetivamente relevante, mas também esquecemos ou porque nos causa dor psíquica ou porque o acúmulo de informações provoca estresse psíquico.
A subjetividade é construída na organização social, histórica e cultural nas quais os indivíduos estão inseridos, em outras palavras, no “comigo mesmo”, com o outro, num tempo e num espaço social específicos. Ela existe em sujeitos reais e concretos numa dada organização que eles têm com seu meio externo.
A realidade é subjetivada pela relação eu x mundo, que determinam as significações. O sujeito, a partir das elaborações e transformações dessas significações e de acordo com suas experiências pessoais, cria um sentido que passarão a fazer parte do seu pensar cotidiano. Os indivíduos apropriam-se da realidade advinda do meio externo.
A aprendizagem está diretamente ligada à forma como o sujeito elabora suas vivências, isto é, se há dificuldades e problemas na “digestão” das questões que provocam incômodos e desarranjos, ele provavelmente apresentará bloqueios para aprender. Pois, precisamos estar bem alimentados, tranqüilos e saudáveis para aprender, sem contar no depósito afetivo que fazem em nós.
O processo de aprendizagem é dinâmico, ou seja, necessita da estrutura neurológica e da nossa subjetividade e também de como nós somos estimulados e treinados pelo meio social. Em outras palavras, o “olhar” que o outro nos vê mais a bagagem subjetiva que vamos adquirindo ao longo das experiências vividas.
A aprendizagem não é algo simples, muito menos mecânico, pois assimilamos aquilo que conseguimos apropriar da cultura em conjunto com o aparato interno que é subjetivo.
Portanto, somos sujeitos que aprendemos a partir do que nos é oferecido socialmente, e conseguimos assimilar as significações daquilo que subjetivamente conhecemos da nossa experiência. É esta relação que nos permite conhecer, produzir, entender, compartilhar, enfim, aprender.
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