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segunda-feira, 27 de junho de 2011

"Não somos apenas o que pensamos ser. Somos mais; somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos, sem querer." (Freud)

terça-feira, 21 de junho de 2011

"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos." Freud

terça-feira, 7 de junho de 2011

A relação mãe-bebê

            Existem teorias psicológicas que atribuem a função materna um papel importante na constituição do sujeito. São teorias de Winnicott, Melanie Klein, Spitz, etc. que reforçam a ideia que é preciso desempenhar bem essa função. Quando digo 'função materna' não é necessariamente a mãe biológica, mas alguém que assuma a relação de afeto, o olhar e os cuidados com o bebê.
             Podemos citar desde os cuidados básicos com o lactante como alimentar, aquecer no frio, banhar, limpar, mas não apenas isso. É necessário que se passe ao bebê a sensação de aconchego, conforto, afeto, carinho e amor. O toque ou contato (que é também com tato) é mais que pegar; é, sobretudo, delimitar um corpo e erogeinizá-lo. Tocar o neném em seu braço, rosto, cabelo é, acima de tudo, mostrar-lhe sua existência no mundo como um ser que possui um corpo.
             O 'olhar' para o bebê é o que demarca sua importância para a família e o lugar que ele ocupa nela. Refiro-me ao olhar que trasborda o amor, a estima, a alegria do descobrimento do mundo pela criança; é o que transmite segurança e auto-confiança para ela. É um olhar que mostra a dedicação, o apoio e o valor dessa criança para seus responsáveis, por fim.
             Há estudos feitos em hospitais com bebês pré-maturos, internados em UTI, que comprovam que eles se recuperam mais rápido cuja presença da mãe é regular, provida com toque, carinho e conversas com seu filho. Existem, inclusive, psicólogos que trabalham em UTI neonatal que incentivam e reforçam a importância dessa relação mãe-bebê nesse período difícil para ambos.
             O que pode parecer inútil e descabido como conversar com um recém-nascido, ou dizer a ele que possui um corpo ou mesmo colocá-lo no colo para deixar transparecer o aconchego, é sem dúvida, mostrá-lo que na relação com sua mãe há amor. O que importa é fazê-lo sentir o afeto, já que o corpo de um bebê há tantas sensações.
             Outro fato que vale ressaltar é qual foi o imaginário dessa criança para os pais, ou em outras palavras, o que esperavam dele antes mesmo de nascer. Foi planejado? Foi esperado? Foi amado desde o período em que estava na barriga da mãe? Isso vai delimitar o lugar que o bebê ocupa na família, bem como o valor que tem para ela.
             Enfim, não basta ser mãe cuidadora, porque isso qualquer pessoa pode fazer. O que tem valor são todos os ingredientes que já citamos anteriormente como o 'olhar', o afeto, o carinho, o aconchego, o toque, a presença, a segurança, etc. Isso sim é o que faz a diferença na relação mãe-bebê.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Brincar é coisa séria

            Na psicologia muitos são os teóricos que compreenderam a importância do brincar para o desenvolvimento emocional infantil. Freud foi o primeiro a dedicar seus estudos às crianças, com o famoso caso do pequeno "Hans"; também reconheceu o valor da vivência infantil e suas consequências na vida adulta. Depois de Freud, duas vertentes psicanalíticas surgiram com o intuito de sistematizar e adaptar a teoria com uma prática terapêutica infantil; foram Anna Freud (filha de Freud) que lidava com questões de cunho mais pedagógico e Melanie Klein que valorizava o brinquedo como elemento de análise e interpretação dos sintomas nas crianças.
             Após o surgimento da psicoterapia infantil com Melanie Klein e Anna Freud, D. W. Winnicott, médico pediatra, foi mais um integrante da teoria psicanalítica. Trabalhou por quarenta anos em um hospital infantil e escreveu suas teorias baseadas na relação mãe-bebê e também na importância do brincar para o desenvolvimento da criança. A psicoterapia infantil centra seus trabalhos nas brincadeiras, o que possibilita a criança a expressão de seus sentimentos e angústias, bem como reorganizar suas vivências nos mais diferentes níveis. 
              Brincar para a criança é algo essencial para o seu desenvolvimento físico, mental e social e lhe permite experimentar o seu mundo descobrindo mais sobre ele. Através das brincadeiras a criança pode entender e elaborar melhor seus sentimentos acumulados de tensão, insegurança, frustração, agressividade, medo e confusão (Rocha, 1999). A brincadeira é utilizada pela criança como forma de linguagem, pois dessa maneira ela se expressa de uma maneira que não saberia fazer através da fala. Desse modo, o recurso usado pelo terapeuta para viabilizar a comunicação com seus pacientes pequenos é o brinquedo. O profissional deve ter abertura suficiente para brincar com a criança, desde que tenha um objetivo terapêutico.
             A ludoterapia é uma forma de intervenção psicológica com crianças que se baseia na brincadeira como meio de auto-expressão. Da mesma maneira que o adulto expõe seus problemas na terapia, a criança faz isso na ludoterapia, brincando. O brincar, dessa maneira, constitui-se em um simbolismo que substitui as palavras e torna, por si só, um gerador de sentido. Com o brinquedo o infante sai de um lugar passivo para uma atividade que facilita a sua compreensão no mundo. A ludoterapia permite à criança ser ela mesma, brincar como quiser sentindo-se mais livre e segura para expressar o que passa consigo.
              A personalidade das crianças evolui com a ajuda das brincadeiras elaboradas por elas mesmas ou por intermédio dos adultos. É possível perceber que a criança pequena brinca sozinha ou com sua mãe, isso pelo fato de ser egocêntrica, isto é, centrada em seu próprio Eu; neste momento ela ainda não é capaz de considerar o ponto de vista do outro. A medida que vai desenvolvendo, já tem interesse nas brincadeiras em grupo o que a faz experimentar diferentes papéis sociais. A partir daí, a criança já permite que as outras tenham uma existência independente dela e assim, inicia-se suas relações. A brincadeira é a prova evidente e constante da capacidade criadora (Winnicott, 1975).
              Brincar para uma criança é mais importante e saudável que muitos adultos pensam. Ela é capaz de fazer isso com qualquer objeto, sendo brinquedo ou não. Portanto, quando chega ao consultório de um terapeuta um infante que não brinca pode-se concluir que o caso é bastante grave. Brincar é coisa séria e não brincar não é brincadeira.