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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Reflexões a respeito do tema "gênero"

            A palavra gênero é de origem inglesa (gender) que quer dizer uma construção social, cultural e com atribuições simbólicas, isto é, uma mera representação do que seria relativo a mulheres e homens. O que conhecemos como feminino e masculino é construção de um produto social apreendido e institucionalizado. A partir do sexo advém as definições que designarão as tarefas e condutas ditas "femininas" e "masculinas". Enquanto gênero é um modo de ser educado e de ser no mundo, o sexo é a definição biológica e anatômica de um indivíduo. Neste caso, são os órgãos internos e externos, cromossomos e hormônios que são indiscutivelmente distintos entre homens e as mulheres.
            É preciso compreender que o fisiológico/biológico não é suficiente para determinar o ser como mulher ou homem, pois o gênero possui elementos que vão muito além da anatomia do sujeito. Em outras palavras, não há coincidência entre anatomia e identidade de gênero. (Gebara, 2000).
            Gênero aponta, também, a relação de poder de um sexo para outro, ou seja, há uma nítida determinação das funções e dos papéis a serem exercidos por ambos os sexos. São estabelecidos desde o nascimento do bebê as práticas que lhes competirão. Segundo a determinação de gênero, por exemplo, as meninas são ensinadas a serem doces, frágeis e recatadas enquanto os meninos fortes, agressivos e poderosos. Embora estes papéis estejam saindo de cena, ainda é um estereótipo em nossa cultura patriarcal.
            Na relação de poder os prestígios são embutidos nas funções em que homens e mulheres irão assumir. Ocorre um jogo de oposições e as atividades estabelecidas por ambos os sexos são simbólicas e estão presentes em todas as culturas.
            Já que gênero é uma construção social e um modo de ser no mundo, sendo o sujeito homem ou mulher, devemos pensar o que é que estamos fazendo dessa construção e, sobretudo, se estamos reproduzindo esta relação de poder. Pois, quando pensamos que a posição da mulher é desprivilegiada e estigmatizada precisamos considerar que esses pensamentos são caricaturados, compartilhados e, muitos vezes, aceitos por nós. Mudam-se as condutas pelo processo educacional.
            A masculinidade é vista como potente, independente e dominante. A feminilidade, por sua vez, é a representação do submisso, insegura e fraco. As noções de ativo e passivo também se relacionam com o masculino e feminino, respectivamente. O homem é educado para ser livre, não demosntrar suas emoções, ser promíscuo, soberano e a mulher, o inverso.
            Gênero é, portanto, a dimensão simbólica e cultural que desempenha nas relações de poder entre homens e mulheres. Dizer que é fisiologicamente mulher não permite concluir que a identidade de gênro seja feminina. E da mesma maneira ocorre com os homens. A expressão de gênero é o que se vê, o que é expresso e transmitido para as pessoas como o jeito de vestir, corte do cabelo, comportamentos e características corporais. Essa expressão do gênero, muitas vezes, não coincide com a anatomia do sujeito, como são os casos dos travestis, transexuais, transformistas, drag queens e muitos homossexuais.
           Não podemos delimitar regras nem apontar nenhum grau de anormalidade, doença ou algo parecido, nesses exemplos citados anteriormente, visto que a sexualidade dos indivíduos é múltipla, plástica e flexível, com todas as dores, encontros, desencontros e alegrias que se possa imaginar. E quanto as "funções" pré-determinadas para os sexos masculino e feminino, não passam de representações de cada cultura. Ainda bem que todo esse cenário está modificando! Mesmo assim, é necessário rever nossos conceitos e condutas.

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