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segunda-feira, 19 de maio de 2014

Impressões do Filme "Hoje eu quero voltar sozinho"

Assisti há um mês ao filme brasileiro Hoje eu quero voltar sozinho, baseado no curta-metragem com o mesmo nome. Sem dúvida, um dos filmes mais lindos que vi nos últimos tempos.

Trata da vida de um adolescente cego que é superprotegido pela mãe e que se descobre apaixonado pelo amigo da escola. Um roteiro que envolve o despertar da homossexualidade, as dificuldades do personagem em lidar com sua deficiência e a abertura dele para a liberdade, estimulada pelo amigo do qual ele se envolve.
Um filme lindo, sensível, com uma condução extremamente delicada, sem estereótipos.
O longa mostra o amor que ultrapassa o preconceito e os limites do próprio corpo. O personagem que também se vê apaixonado pelo menino cego conduz a trama com leveza, e, aos poucos, vai percebendo sua admiração e interesse pelo colega. A história começa com uma amizade aparentemente ingênua e sincera que vai ganhando força e cativando ambos para uma paixão. Eles se declaram e assumem um relacionamento diante da escola. O personagem mostra ao deficiente as delícias e os prazeres de viver e realizar as coisas, independente do seu problema de visão. Dessa maneira, ele insere o garoto em um mundo de desafios, liberdade e maturidade.
Um filme que é mais que indicado para se emocionar e sair do cinema ou da sala com o coração afetado.

Além disso, os personagens são jovens e ótimos atores. Vale a pena conferir!

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Mãe (Desnecessária)

Achei esse texto muito interessante e plausível.
Escrito por Marcia Neder

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar vôos-solo....
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Ocupação


 
 
 
 
 
 
 
 
 
A C&C é uma empresa da área de Psicologia, que presta serviços de Avaliação Psicológica para processos seletivos, concursos públicos, Organizações e clínica.
Proporcionamos direcionamentos aos clientes e sugestões nos relatórios psicológicos, com objetivo e foco, de acordo com demandas específicas.

Nosso trabalho é realizado com responsabilidade, eficiência, compromisso e ética.

Faça um orçamento conosco. Teremos grande prazer em atendê-lo (a).

Trabalhamos em todo o Estado da Bahia e Sergipe.
 
(71) 8118-2318 / 9302-0617 / 3506-1615



Psicóloga responsável: Cibelle Carvalho Pereira – CRP 03/8130

A perda do outro: uma relação de amor e dor


Recentemente, li o excelente livro do Psicanalista e Psiquiatra argentino J. D. Nasio, assim conhecido, intitulado A dor de Amar. Trarei de forma sintética o que considero mais belo na relação do amor e da perda desse amor. Certamente, o livro traz muitos elementos que não entrarão aqui para que a postagem não se estenda. 

Para iniciar este texto, vou elucidar o que ele formula sobre a dor de amar: é uma ruptura no laço íntimo com o ser amado. Àquele que foi escolhido para viver junto se afasta e o afeto empregado é desfeito.

Antes disso, instala-se o amor que é, na realidade, a representação feita do ser amado, ou seja, é a fantasia do outro no próprio inconsciente. Podemos pensar que amar, para Nasio e para a psicanálise, é também idealizar o escolhido. Amamos a nós mesmos que está representado no outro, em outras palavras, nos colocamos no ser amado. Freud diz que o escolhido por nós é um personagem psíquico, virtual, diferente da pessoa viva, pois nele está uma parte inconsciente de nós mesmos. O sujeito amado é uma parte real e outra parte de mim que está impressa nele. Contudo, o amor não vem acompanhado apenas de bons aspectos, cobrimos no ser amado muitas representações de amor, ódio ou angústia engendradas no nosso inconsciente. Por isso, amamos um ser híbrido que é um indivíduo real e atuante, mas também sua presença fantasiada e inconsciente de nós. E a fantasia de cada um será um laço tanto mais apertado quanto mais eu for para o outro aquilo que ele é para mim: o eleito fantasiado, segundo Nasio.

Por outro lado, o corpo do amado é preciso estar vivo, em carne e osso, para servir de base à nossa fantasia. Sem essa base real a fantasia desabaria e o inconsciente perderia seu centro de gravidade. Além disso, é esse corpo vivo que excita e estimula o desejo do outro, e suas manifestações, ações e jeito singular também são projetados no psiquismo de quem ama. A presença imaginária do eleito no nosso inconsciente reflete e envia nossas próprias imagens, conforme assinala Nasio.

No livro, o autor diz que esse amor, como sendo uma representação inconsciente de nós mesmos, é alimentado pelo desejo. A incompletude do amor do outro permite que o desejo de quem ama permaneça ativo, uma vez que o outro não deverá ser total para que se possa continuar desejando-o. Nosso parceiro (a) nos insatisfaz porque não pode e não quer nos satisfazer plenamente. Então, ao mesmo tempo em que me incita a amá-lo, me proporciona um gozo parcial. Desse modo, garante a insatisfação necessária para o jogo do desejo.

Perder esse amor que é tão importante como um braço ou uma perna é se ver no vazio e no real. O desejo que estava sustentado, a fantasia que estava presente e a relação que se dava de forma dinâmica é rompida, dilacerando o sujeito que ama. O que dói é a certeza do irreparável da perda do amado. Quanto mais se ama, mais se sofre porque o laço é perdido de forma abrupta e o desejo já não está mais presente. Instala-se o sofrimento e a dor da perda do objeto a. Não haverá mais investimento libidinal e o sujeito se sente despedaçado, lesionado, como arremata Nasio. Ele diz: o que dói não é perder o ser amado, mas continuar a amá-lo mais do que nunca, mesmo sabendo-o irremediavelmente perdido.

A perda do amado é uma dor dentro de nós porque desencadeia o desmoronamento da fantasia. O sujeito se sente, portanto, abandonado, perdido e sem saber o que fazer com o desejo errante. O desejo passa a ser nu e sem objeto. A dor provém da perda do amado, do abalo da fantasia que nos liga a ele e, também, da fratura da imagem do outro. Em suma, a dor de amar é exprimida pelo encontro agressivo e imediato entre o sujeito e o próprio desejo enlouquecido e desestruturado, segundo o autor.

Por fim, o amado que foi eleito por nós através de inúmeras representações psíquicas e que, por isso mesmo, é encontrada uma parte de mim nele se desfaz, é amputada e rompida seja pela morte, pelo abandono ou pela humilhação. Neste momento, instala-se a dor de amar e a dor psíquica porque o laço e a união foram cortados e o indivíduo foi perdido para sempre. A fantasia feita por cada um de nós com a imagem e o corpo do outro desaba e o desejo fica sem objeto, ou seja, fica manco, instável e morto. Diante da desordem pulsional, o sujeito que perde o ser amado sofre e deverá viver o luto para que, algum tempo depois, se veja curado e com sua dor cicatrizada. Após a elaboração da perda e sua simbolização, o indivíduo será capaz de eleger outro terráqueo, único e indispensável. Sim, neste momento poderá amar de novo.